Mesmo com “guerra” de facções, MS reduz criminalidade na fronteira

Mesmo com o acirramento da disputa entre facções criminosas na região de fronteira, a Segurança Pública de Mato Grosso do Sul conseguiu reduzir a criminalidade nessa região no primeiro semestre deste ano, conforme dados da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). Comparado com o mesmo período do ano passado, a queda no número de latrocínio (roubo seguido de morte) foi de 56% e de roubo a estabelecimento comercial, 21,5%.

E segundo o Atlas da Violência 2018, elaborado pelo Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso do Sul é o quinto estado brasileiro com maior índice de redução de homicídios, com recuo de 15,8%, ficando atrás apenas de São Paulo (-46,7%), Espírito Santo (-37,2%), Santa Catarina (-27,4%) e Rio de Janeiro, com 23,4%. O Atlas compara números de 2006 a 2016. Já o 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta semana, aponta que Mato Grosso do Sul foi a unidade da federação que teve a maior redução (44,5%) no número de latrocínio em 2017, comparado com o ano anterior. A publicação traz ainda que o MS registrou a segunda menor taxa de roubo e furtos de veículos em 2017, comparado com os dados do ano anterior. Foram 328,6 ocorrências em 2016 e 299,9 no ano passado.

Para o secretário de Justiça e Segurança Pública Antonio Carlos Videira, os resultados positivos indicam que a política de segurança pública implantada pelo Governo do Estado é eficiente. “Temos investido em todas as áreas da segurança pública, desde a inteligência, capacitação, infraestrutura, equipamentos e integração com os outros estados e países vizinhos”, afirmou. Ele enfatiza que tem sido dado atenção especial à área de inteligência tanto na parte de gestão como na área operacional. Neste último caso, com troca de informações entre as equipes de inteligência de Mato Grosso do Sul com as de outros estados, além da Bolívia, Paraguai e até do DEA (Drug Enforcement Administration), a Polícia Federal dos Estados Unidos, que no ano passado deu um curso de inteligência para policiais do Estado.

Videira destaca que a inteligência artificial em política de segurança pública é uma ferramenta importante para o combate eficiente e com menor custo da criminalidade. Ele cita que o trabalho integrado entre os serviços de inteligência das forças de segurança, como as polícias e a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) tem garantido que Mato Grosso do Sul tenha o sistema penitenciário sob controle. “Não tivemos fugas e nem rebeliões, porque com as informações das nossas inteligências agimos preventivamente”, comentou o titular da Sejusp.

O secretário diz que outros dados que apontam que o trabalho do governo estadual vem dando certo são os números relacionados aos municípios que fazem parte do “corredor” usados pelos criminosos. É o caso de Três Lagoas, principal cidade por onde entram carros roubados em São Paulo e passagem da droga que vem da Bolívia ou do Paraguai. Roubo de veículos, por exemplo, teve queda de 75,4% nos seis primeiros meses deste ano, se comparado com o primeiro semestre de 2017. Latrocínio teve recuo de 100%.

Ele observa também que para se reduzir os índices, a administração estadual define ações que, em princípio, não estariam diretamente ligadas a área da segurança pública. Ao investir na compra de viaturas mais modernas e equipamentos para o Corpo de Bombeiros, não está se pensando somente no combate aos incêndios ou socorro às vítimas de acidentes. “Com os investimentos como, por exemplo, na compra de desencarceradores, estamos diminuindo o tempo de resposta ao atendimento a uma ocorrência de acidente de trânsito com vítima presa às ferragens. Assim, diminuindo o tempo de resposta, reduzimos o risco de a vítima de acidente morrer, e aumentar os números de homicídio culposo”, diz Antonio Carlos Videira.

Dos 12 tipos de crimes que tiveram dados compilados pela Sejup no primeiro semestre deste ano, em apenas um (feminicídio) não houve redução. Roubo em residência registrou queda 23,8%; roubo de veículo 21,6%; furto de veículo 18,9%; furto em residência 15,5%; roubo a estabelecimento comercial, 15,3%; assalto (roubo em via pública) recuo de 12,4%; homicídio culposo no trânsito (8%), latrocínio (-1,1%).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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