Mercado de games movimenta R$170 milhões por ano em MS

Acompanhando uma tendência mundial, a indústria de jogos eletrônicos no Brasil tem crescido de forma constante e chamando atenção de jovens empreendedores, geralmente apaixonados pelo universo da programação. No Brasil o consumo apresenta aumento anual de 14 a 18%, o que significa um montante de 600 milhões de dólares. Representando 12% desse consumo, Mato Grosso do Sul fatura R$170 milhões com o setor, contando com apenas quatro empresas especializadas.

No mercado desde os 17 anos, o analista de sistemas, Felipe Moisés, atua como professor em um curso de desenvolvimento de jogos. Para ele a maior dificuldade das empresas é justamente encontrar mão de obra especializada, “Temos cerca de 15 profissionais com experiência aqui no Estado”. Outro desafio é enfrentar a fuga de cérebros, “O mercado no exterior recruta muito os bons profissionais, aí eles ão morar fora e nunca mais voltam”.

Felipe explica que depois da faculdade ficou um tempo afastado do desenvolvimento, “As ferramentas de engine eram muito escassas, você não conseguia fazer o que queria”, ele então passou um tempo no mercado de softwares até perceber melhores perspectivas, “A área se tornou muito visível há uns 2 anos atrás com o boom de World of Warcraft (jogo de RPG on-line)”.

O salário inicial da categoria é acima de R$1.600 por mês, segundo Felipe, sendo que o profissional ganha por tempo de desenvolvimento, o que gira em torno de R$65 a hora. Ele explica que os jogos mais lucrativos são os desenvolvidos para a rede social Facebook, “Nos jogos para Facebook, se a pessoa morre ela tem a opção de comprar mais vidas e outros itens como caracterização para o personagem e por isso é disparadamente o tipo de game que mais ganha”. O público, segundo ele, é o considerado economicamente ativo na faixa etária dos 17 aos 38 anos.

Mas a parte financeira nem sempre é a motivação. Apaixonado por videogames desde a infância, o empresário, André Asantee (28), conta que começou a desbravar o universo do desenvolvimento de jogos ainda na Infância. Aos 13 anos de idade ele começou a estudar programação e hoje já tem 6 jogos autorais licenciados para empresas nos EUA e Canadá.

André acredita que o desenvolvimento do setor no Estado ainda é muito lento, mas que “de nada para muito pouco”, é um crescimento significativo. “A cada mês e cada ano nosso faturamento tem melhorado e encontrado mais estabilidade”, conta Asantee, que vive apenas da atividade há cerca de 3 anos. Ele explica que a maioria dos desenvolvedores não conseguem fazer isso e acabam trabalhando em outras empresas ligadas ao ramo.

Para se estabelecer a empresa criada por André e um sócio contou com a ajuda de uma incubadora de empresas, “Isso no ajudou muito na parte de logística e administrativamente porque passamos a ter um local de trabalho”.

A maior vantagem neste tipo de empreendimento é que não existe posição geográfica privilegiada, já que a internet facilitou o contato entre os desenvolvedores e as empresas interessadas na compra. Além disso plataformas como Google Play e iTunes agilizaram a distribuição que antes era feita somente de maneira física. André, por exemplo, contabiliza mais de 900 mil downloads de seus jogos em todo mundo.

Outro nicho são os jogos educativos que tem despertado o interesse de prefeituras de todo o país para serem implantados nas escolas. Felipe conta que no início do ano a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) chegou a abrir uma licitação para empresas que desenvolvessem jogos educativos do 1° ao 5° ano. No entanto nenhuma foi selecionada pela falta de requisitos para a licitação como tempo de funcionamento,  “É um mercado muito recente ainda, mas quem apostar no Estado poderá ter êxito”, conclui.

Luana Campos

 

 

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