Meninas que tiveram mãe e tia assassinadas podem retornar ao Japão

Silvio Mori

Desde a morte da mãe, elas viveram em orfanato no Japão e retornaram este mês ao Brasil, mas podem ter que voltar ao Japão

 

A dificuldade entre avó e netas é a língua, as meninas falam apenas a língua japonesa.

Depois de três anos, Isabela (8) e Alejandara (6), que tiveram a mãe e a tia brasileiras assassinadas no Japão, retornaram em definitivo ao Brasil. Durante esse tempo viveram em um orfanato japonês, mas ainda correm o risco de retornarem ao Japão por causa do crime.

Elas chegaram no começo do mês, mas somente nesta semana a avó, Maria Scardin divulgou a chegada delas. As meninas são filhas da sul-mato-grossense Akemi Maruyama (29),  que foi encontrada morta junto com a irmã Michele Maruyama (27) , na cidade de Handa, província de Aichi no Japão. O apartamento em que elas viviam foi incendiado.

Apesar da vinda em definitivo, as meninas correm o risco de ter que voltar para o Japão. Segundo a avó, a polícia japonesa acredita que a menina mais velha tenha visto o crime.

“Eles falam que ela foi testemunha ocular, que viu tudo acontecer, mas travou na mente dela”, explica Maria.

Maria explica também que, caso sejam convocadas não vai se opor, pois quer a justiça. “Quero que seja feita a justiça e que ele pegue a a pena máxima”, disse.

O crime

No dia 29 de dezembro de 2015, as brasileiras sul-mato-grossenses Akemi Maruyama de 29 anos e Michele Maruyama de 27 anos, foram encontradas mortas e tiveram o apartamento incendiado na cidade de Handa, província de Aichi, no Japão.

Na época do crime a polícia japonesa constatou que a morte das duas irmãs foi por estrangulamento e que o incêndio foi criminoso. Durante as investigações encontraram um galão de combustível na cozinha do imóvel.  No mesmo dia, a polícia prendeu o peruano Tony La rosa, ex- companheiro de Akemi, com quem foi casado por seis anos e estavam separados há três meses quando o crime aconteceu. Tony não aceitava o fim do relacionamento e foi acusado pelos assassinatos e pelo incêndio, quando foi preso dirigia o carro da vítima, sem habilitação e em companhia das duas crianças.

Desde o dia do crime até o começo deste mês, as filhas de Akemi vivam em um orfanato japonês, sem qualquer contato com os familiares. Foram três anos de espera e angústia para a avó Maria, que foi até o Japão para dar o último adeus as filhas, participou da cremação, mas na época não conseguiu a guarda das netas.

“Não deixaram eu trazer, acho que queriam protege-las. Eles não sabiam que eu era”, disse a avó.

Na casa de Maria, há fotos das filhas espalhadas pelos móveis, a mãe tenta superar a morte delas, que deixaram o Brasil há 12 anos para trabalhar no Japão. Agora o que ela espera é que a justiça seja feita.

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