Médico diz que aumento do número de feridos graves no trânsito “é alarmante”

“O trauma é o problema de saúde que mais mata até os 45 anos de idade. Principalmente gente jovem é que morre, em idade economicamente ativa. Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de traumas e em sua maioria, envolvem motociclistas não habilitados”, desabafa, indignado, o médico Luiz Gustavo Orlandi de Souza, anestesiologista, diretor do Núcleo de Educação em Trauma da Fundação Centro de Estudos da Santa Casa de Campo Grande.

Em um cenário assim, de acordo com o médico, entre os problemas, estão as lesões agravadas pela falta de investimentos na capacitação dos profissionais para o atendimento de traumas. Orlandi condiciona a diminuição do número de mortes e sequelas nesse tipo acidente, ao aumento de investimentos no aperfeiçoamento dos profissionais. Conhecimento que vá além dos tradicionais cuidados com primeiros socorros. Segundo o médico, “o destino do traumatizado está na mão de quem faz o primeiro atendimento”

Golden Hour

A chamada “golden hour”, o intervalo de uma hora entre a lesão, o transporte e o tratamento das vítimas, faz toda a diferença, de acordo com especialistas. A probabilidade de redução de mortalidade e sequelas aumenta muito se o paciente tiver o tratamento adequado neste lapso temporal. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam que 130 mil pessoas morrem por trauma ao ano e 450 mil ficam com sequelas graves, como dificuldades na fala, na alimentação e até a impossibilidade de andar, estudar e trabalhar (em decorrência da violência urbana e de acidentes de trânsito), no Brasil.

Segundo o SUS, 45% das mortes relacionadas à acidentes ocorre no local. A maioria morre de lesões em estruturas vitais, como o sistema nervoso central ou coração e grandes vasos. Já 34% das mortes ocorre dentro de 1 a 4 horas após o trauma. Este pico contém pacientes com lesões graves do sistema nervoso central, lesões no tórax ou sangramentos.

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De 2008 até 2014 número de traumas praticamente dobrou no país Fonte: Ministério da Saúde


Sistematizando procedimentos

Nesse final de semana, Orlandi ministra o curso “Suporte à vida ao Traumatizado – ATLS (Advanced Trauma Life Support)” voltado apenas para médicos, em uma universidade da Capital. Em dois dias, o treinamento capacita os profissionais a eleger prioridades, adotar as mais atualizadas técnicas de atendimento, imobilização em caso de fraturas, controle de hemorragias e transporte das vítimas, sistematizando e organizando os procedimentos. De acordo com o médico, o programa de treinamento é realizado em 60 países.

Orlandi ressalta que a fundação oferece diferentes cursos na área, que capacitam desde leigos, passando por profissionais de Educação Física, até do suporte básico de resgate – como Corpo de Bombeiros, técnicos de enfermagem que trabalham com o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) – e em postos de saúde (enfermeiros e médicos).

Desabafo

Como cidadão, o diretor do Núcleo de Educação em Trauma da Santa Casa de Campo Grande defendeu o maior rigor possível na fiscalização e execução da Lei Seca em vigor no país. “Quantas blitze da Lei Seca serão realizadas hoje em Campo Grande e no Brasil?”, indagou o médico. Apesar de avaliar como insuficiente a fiscalização nas cidades e estradas, por outro lado, Orlandi afirma que, felizmente, a população em geral hoje está mais consciente de que não deve mexer em uma vítima de acidente, evitando danos ainda maiores em caso de trauma. “Fornecer o maior número de informações sobre o estado da vítima e a localização exata do acidente é a maior contribuição que um leigo pode dar em casos de acidentes com trauma das vítimas”, ressalta o médico.


Silvio Ferreira

Serviço:

Curso de Suporte à vida ao Traumatizado – ATLS (Advanced Trauma Life Support)
Duração: 20 horas (dois dias)
Fundação Centro de Estudos da Santa Casa de Campo Grande
Tel.: 3382-0502

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