MDB defende “medidas urgentes”, mas não afina discurso

Silvio Ferreira

Os parlamentares estaduais integrantes do partido do presidente Michel Temer (MDB) são unânimes sobre a necessidade de se viabilizar um acordo definitivo com os caminhoneiros para acabar com a paralisação nacional da categoria, mas as opiniões apresentadas não encontram um denominador comum.

Deputados do MDB comentam os efeitos da paralisação nacional dos caminhoneiros. Foto: Luciana Nassar

Renato Câmara, Eduardo Rocha e Dr.Paulo Siufi, em suas falas durante a sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (29), foram unânimes apenas em reconhecer a urgência de uma solução negociada, por conta do agravamento das consequências do movimento que estancou o principal modal logístico do País,  o transporte rodoviário.

O protesto – reconhecido pelos parlamentares como legítimo – iniciou um efeito dominó que tem causado prejuízos financeiros bilionários, que vão da crise no abastecimento de alimentos e medicamentos para a população em geral, dos lucros cessantes do setor empresarial pela falta de combustíveis; passando pela perda da produção agrícola e pela mortalidade de animais por falta de insumos básicos como ração e produtos veterinários; até a paralisação do comércio e da indústria e o consequente aumento do risco de demissões.

Se há consenso em relação ao contexto, por outro lado, os parlamentares divergem na apresentação de quais seriam as soluções que deveriam ser negociadas. Negociações que segundo o porta-voz do governo Temer, ministro Carlos Marun, já teriam esgotado todas as suas possibilidades e “já foram concluídas”.

Para o deputado Renato Câmara, “a categoria precisa ceder um pouco, interrompendo a paralisação, já que a maioria das pautas dos caminhoneiros já foi atendida”. Para o parlamentar: “Ao final dos 60 dias – durante os quais durará a retirada de PIS/Cofins da composição do preço do diesel -, caso os acordos fechados com o governo não sejam suficientes, as negociações podem ser retomadas, mas a categoria precisa voltar ao trabalho, para não quebrar o País”, avaliou.

Câmara acrescentou ainda: “O que observamos agora é uma determinação em continuar a paralisação, que ganha contornos políticos, e que tem como propósito derrubar o governo. Há que se perguntar a quem interessa quebrar o País, a quem interessa transformá-lo em um cenário de Mad Max?”, questionou o deputado, citando a franquia de filmes de ficção-científica que apresenta o mundo mergulhado em um caos apocalíptico.

Já o deputado Eduardo Rocha defendeu que o governo Temer ceda ainda mais, e por assim dizer, que “corte a própria carne”. Rocha chegou a propor uma ampla reforma política emergencial: “Que se reduza o tamanho do Estado!”. Rocha chegou a sugerir, como exemplo, a possibilidade de reduzir o número de deputados estaduais de Mato Grosso do Sul, dos atuais 24, para 18: “O Poder Legislativo deixaria de funcionar por causa disso? É claro que não!”, ponderou.

O emedebista foi além: “O governo precisa pensar na possibilidade de congelar os preços dos combustíveis até o final do ano. Afinal, a Petrobras não alcançou a autossuficiência na produção de petróleo?”, defendeu.

A tese é frontalmente contrária à política de preços adotada pela Petrobras, desde que a estatal passou a ser presidida pelo engenheiro Pedro Parente. A política de preços da estatal mudou depois do prejuízo sofrido pela empresa – estimado em mais de R$55 bilhões -, que foi desencadeado pela política de contenção artificial dos preços dos combustíveis no País, imposta à estatal pelo governo Dilma Rousseff (PT). O modelo vigorou justamente durante o período no qual o mercado internacional registrava altas sucessivas da cotação do barril de petróleo.

A medida de cunho eleitoreiro foi adotada no final do primeiro mandato da petista, com vistas ao projeto de reeleição da legenda. Política classificada como “desastrosa” por economistas, pois se por um lado, funcionou para a reeleição – associada a um esquema de corrupção para aparelhamento do Estado brasileiro jamais visto -, por outro, mergulhou a estatal na maior crise de sua história. E todo o País em um longo período de recessão econômica, do qual o Brasil apenas começou a ensaiar uma saída.

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