Mayara Amaral: Juri de assassino já dura dia todo, com defesa ‘culpando’ e desqualificando a vitima

Lúcio Borges

Musicista Mayara Amaral foi encontrada morta com corpo carbonizado em Campo Grande (Foto: Reprodução/Facebook)

O julgamento do baterista Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, que matou cruelmente a musicista Mayara Amaral, já dura mais de oito horas nesta sexta-feira (29), podendo sair o resultado do Juri Popular ainda hoje. A condenação do réu – que foi pego e mesmo confessou o homicídio agravado pelo Feminicidio – é esperada por familiares, amigos e toda sociedade que ficou chocada com o crime. Apesar da gravidade do crime, ainda hoje, ocorreram episódios críticos protagonizados pela defesa do rapaz, que avaliados pelo lado das pessoas ligadas a vitima, foram considerados lamentáveis e lastimável. A defesa ainda tentou reverter o crime, culpando e desmoralizando a jovem, que morreu  assassinada, então com 23 anos, em julho de 2017.

A defesa do baterista além de apontar que o crime não foi um feminicidio, que é um crime de morte por questões de gênero em violência contra a mulher, mencionou que a vitima – Mayara – teve culpa na própria morte, pois a mesma teria provocado o algoz. Bem como ela também estaria drogada e com isto revelou ao então rapaz, que considerava ‘namorado’, que ela estaria doente grave, com Aids, o que fez ele se descontrolar.

Luis Alberto, em seu depoimento no julgamento, disse que só se lembra de ter dado, apenas, uma martelada na cabeça de Mayara Amaral, ante após várias tentativas de versões encaminhadas pela defesa, que até tentou desfazer ou diminuir as acusações, bem como conseguiu de certa forma protelar o Júri até hoje, tendo sido desmarcado em outubro de 2018, quando havia sido agendado. “Naquele dia, 22 de julho, eu teria usado drogas além da conta, misturado com drogas sintéticas. E começamos uma discussão depois dela falar que teria feito exames, porque estava com uma doença sexualmente transmissível e que poderia ter passado para mim”, disse hoje o baterista.

Assim, neste momento, os dois teriam começado a discutir e Luis afirma que só se lembra de ter pego o martelo na mochila e dado um golpe na cabeça de Mayara. Depois, o baterista afirmou não se lembrar de mais nada, só o momento em que teria colocado o corpo de Mayara no carro para abandoná-lo no inferninho.

ENCARCERADO – O assassino de Mayara: “À noite, eu grito por Deus” (Jefferson Coppola/VEJA)

Defesa ataca e mata Mayara pela segunda vez

A família e todos que acompanham o julgamento ficaram perplexos, considerando que a Defesa do assassino de Mayara Amaral, “matou Mayara pela segunda vez”, com o velho discurso usado para justificar o assassinato de mulheres, culpando a vítima pela sua morte. Como a desclassificando, jogando “injuria e difamações’.

O advogado Conrado Passos, afirmou no plenário do júri, que a musicista provocou Luis, o que resultou no seu assassinato. “Dois drogados no motel, não deu outra, ela não tinha nada que provocar. Ele queria ir embora, e ela não deixou”, falou o advogado, que ainda acusou a musicista, que ela teria dito que tinha um relacionamento com mais três rapazes, e que ela poderia ter passado uma doença sexualmente transmissível para ele,.

“Imaginem eles nesta situação, descobrir que seu companheiro pode ter te passado uma doença”, jogou o defensor, que ainda pediu para que os jurados julguem o crime de homicídio, em um momento de descontrole emocional, e não por feminicídio. “Um laudo comprova que Luis não teria discernimento do que estava fazendo, ele seria teria sido qualificado como semi-imputável”, lembrou e completou Passos.

Luís Alberto Bastos Barbosa

O baterista é frio, aponta acusação

A acusação classificou Luis como frio, já que depois de matar a musicista ele teria se passado por ela mandando mensagens para a mãe de Mayara. “Tão forte quanto a dor desta mãe é a frieza do réu. Mayara ainda amava Luis, mas ela não passava de diversão para ele”, argumentou o promotor, que além da fala enfática, mostrou fotos do corpo de Mayara durante o julgamento, onde houve comoção entre as pessoas que estavam no plenário do júri.

Contradizendo os depoimentos tanto da madrasta quanto de uma amiga de Luis, de que ele seria gentil, calmo e ‘menino de família’, a acusação apontou sua frieza e pensamento de esconder provas do grave crime que sabia que tinha cometido. “Luis ainda disse que não tinha a intenção de vender os objetos e o carro de Mayara, apenas queria se livrar deles. O baterista ainda disse que ficou em estado de choque depois de cometer o assassinato, mas fez tudo para limpar, esconder, desfazer de provas que apontasse o crime”, explicou a promotoria.

O promotor ainda mostrou que Mayara Amaral teve a vida interrompida, em julho de 2017, quando foi morta com golpes de martelo por Luís Alberto, e ela também teria sido esganada e teve R$ 17,3 mil em bens roubados. “Além de Luís, mais dois homens foram presos no dia seguinte ao achado do corpo, acusados de participação no assassinato, mas após investigações concluíram que o baterista agiu sozinho”, disse.

O corpo da musicista foi encontrado por peões de fazendas da região do Inferninho, ainda em chamas. A defesa do acusado usou como estratégia o fato de Luís ser usuário de drogas e pediu uma avaliação de sanidade mental do rapaz, por acreditar que o crime tenha sido motivado por um distúrbio muito além de sua vontade.

Condenação, maior ou menor?

A defesa de Luis, como estratégia, vai alegar que ele não tem antecedentes criminais, e que o crime foi um episódio único na vida do baterista. “Luis estaria arrependido do crime, “Este foi um episódio lamentável que aconteceu na vida deste jovem”, declarou.

O advogado de defesa de Luis contou que um laudo psicológico diz que o réu é semi-imputável, e que o laudo será apresentado durante o julgamento. Segundo o advogado, Conrado de Souza Passos, o laudo foi deferido pelo juiz, e isso, pode reduzir a pena de 1 a 2 terços.

A família da musicista espera que Luis seja condenado há pelo menos 20 anos de prisão pelo crime,  que está sendo realizado em júri popular, composto por cinco mulheres e dois homens.

 

 

 

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