Mau humor global e BC fazem dólar subir a R$ 3,57; Bolsa recua quase 2%

O dólar volta a se fortalecer frente a várias moedas nesta terça-feira (3), com o aumento das preocupações em relação ao crescimento da economia global. As commodities recuam, pressionando os ativos de países emergentes.

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No Brasil, a moeda americana sobe mais de 2%, impulsionada também por mais uma atuação do Banco Central no mercado de câmbio.

O Ibovespa acompanha seus pares globais em meio ao mau humor generalizado, e perde mais de 2%, com a forte queda das ações de bancos, Vale e Petrobras. Os juros futuros também sobem, seguindo o aumento do dólar e da aversão ao risco.

Segundo analistas, apesar do otimismo de investidores com um eventual governo de Michel Temer, predomina a cautela em relação aos desdobramentos no cenário político. O mercado aguarda a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, na semana que vem.

CÃMBIO E JUROS

O dólar à vista subia há pouco 2,42%, a R$ 3,575; o dólar comercial avançava 2,46%, a R$ 3,577. O Banco Central realizou nesta manhã mais um leilão de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares pela autoridade monetária. Foram leiloados apenas 9.800 dos 20.000 contratos ofertados, no montante de US$ 490 milhões.

Mas a maior pressão de alta da moeda americana vem do exterior. Os mercados globais reagem a novos sinais de desaceleração da economia global, particularmente na China.

O BCE (Banco Central Europeu) disse nesta terça-feira que a fraqueza das economias emergentes pode ser duradoura, representando riscos ao crescimento até das economias avançadas.

Como consequência da maior aversão ao risco, os juros futuros sobem no mercado doméstico. O contrato de DI para janeiro de 2017 avançava de 13,660% para 13,675% e o de DI para janeiro de 2021 subia de 12,410% para 12,530%.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, ganhava 2,51%, para 345,856 pontos.

BOLSA

O principal índice da Bolsa paulista perdia há pouco 1,98%, aos 52.501,18 pontos. As ações da Vale recuavam 5,11%, a R$ 14,83 (PNA) e 6,13%, a R$ 18,65 (ON), reagindo à queda de mais de 4% no preço do minério de ferro na China.

Os papéis da Petrobras perdiam 3,34%, a R$ 9,83 (PN), e 2,71%, a R$ 12,91 (ON). Em Londres, o petróleo Brent caía 1,94%, a US$ 44,94 o barril, enquanto em Nova York o petróleo tipo WTI recuava 2,52%, a US$ 43,65, com novas preocupações em relação ao excesso de oferta global.

Itaú Unibanco PN liderava as quedas do setor financeiro, com -4,31%. O maior banco privado brasileiro anunciou nesta terça que seu lucro líquido do período somou R$ 5,184 bilhões, queda de 9,6% em relação aos R$ 5,733 bilhões observados no mesmo período de 2015. Foi ainda o menor lucro desde o segundo trimestre de 2014.

O banco também informou que o índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,9% no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2015 era de 3%. Foi o maior patamar desde setembro de 2013.
Ainda no setor, Banco do Brasil ON caía 3,52%; Bradesco PN, -1,89%; Santander unit, -0,60%; e BM&FBovespa ON, -1,40%.

“O cenário doméstico não mostra nenhuma novidade passível de digerir esse mau humor externo e o dia também será difícil por aqui. Resultados corporativos mostram a difícil realidade que a esperança tratou de mascarar com a alta recente da Bolsa”, comenta a equipe da Lerosa Investimentos, em relatório.

EXTERIOR

Balanços fracos de empresas no primeiro trimestre também são outro fator de pressão para os índices acionários no exterior.

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones perdia 1,09%; o S&P 500, -1,11% e o Nasdaq, -1,22%.

Na Europa, a Bolsa de Londres perdia 0,81%; Paris, -1,33%; Frankfurt, -1,74%; Madri, -2,66%; e Milão, -2,24%.

Na Ásia, as Bolsas chinesas subiram na volta do feriado de ontem (2), apesar de dados sinalizando a desaceleração da economia do país.

A Bolsa de Tóquio ficou fechada por conta de um feriado que durará até quinta-feira (5). O iene, no entanto, bateu nova máxima em 18 meses ante o dólar, impulsionado pelos temores de desaceleração global. (Folha.com)

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