Marquinhos passa por saia justa ao não responder se é fantasma da Assembleia

Durante debate no SBTMS entre os 15 concorrentes à prefeitura de Campo Grande, na noite de terça-feira, o candidato do PPS, Athayde Nery, revelou que o deputado estadual Marquinhos Trad (PSD) é funcionário “fantasma” da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Foto Reprodução SBT
Foto Reprodução SBT

Questionado sobre o assunto, Marquinhos desconversou e ficou irritado com o adversário, tendo de enfrentar a maior saia justa do debate.

Documento distribuído por Athayde após o debate comprova realmente que Marquinhos foi nomeado técnico parlamentar no gabinete do pai dele, então deputado estadual Nelson Trad (PTB), no dia 1º de junho de 1986, sob a matrícula nº 1.876.

O documento atesta que o candidato do PSD  “trabalhou” no gabinete de 1º de junho de 1986 até 28 de fevereiro de 1991, época em que ficou lotado no gabinete do deputado Aloísio Borges, depois que Nelson Trad foi eleito deputado federal.

“A bem da verdade, à época não existia qualquer vedação legal para impedir referida nomeação de Marquinhos Trad pelo então deputado-pai Nelson Trad, mas a ética, a moral e bom senso do homem mediano impede ou deveria impedir referido ato”, diz trecho do documento distribuído pela assessoria de Athayde em poder da redação.

FANTASMA

Ainda segundo o candidato do PPS, no  gabinete de Aloísio Borges, Marquinhos Trad “trabalhou” desde de 28 de fevereiro de 1991 até 4 de abril do mesmo ano.

“Vale registrar que os deputados Nelson Trad e Aloísio Borges pertenciam ao mesmo partido, o PTB. Após a permanência de quase dois meses no gabinete de Aloísio Borges, Marquinhos Trad ficou sem lotação, ou seja, não tinha local para “trabalhar”,acrescenta.

Esse período, segundo o documento, foi de 4 de abril de 1991 até 11 de setembro de 1997, ou seja, ficou 6 anos e 5 meses sem “trabalhar. Nesta época, o funcionário já tinha mudado de cargo, passando de técnico parlamentar para assistente jurídico.

“Em 11 de setembro de 1997, o senhor Marcos Marcelo Trad foi cedido pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para a prefeitura municipal de Campo Grande, à época do prefeito André Puccinelli (PMDB)  até 29/01/2004.

De 1º de abril de 2004 até 13 de setembro de 2005 Marquinhos Trad ficou sem lotação, ou seja, não “trabalhou”, ainda conforme atesta o extenso documento tornado público pelo candidato do PPS.

De 13 de setembro de 2005 até os dias de hoje, acrescenta o texto, o funcionário da Assembleia Legislativa Marquinhos Trad encontra-se sob licença para atividade política.

DIÁRIO OFICIAL

Segundo ele, o Diário Oficial do Estado nº 5404, de 11 de dezembro de 2000, pág. 40, traz a publicação da prorrogação da cedência de funcionários do quadro permanente de pessoal da Assembleia Legislativa para a prefeitura da Capital, dentre os quais Marquinhos Trad.

O Diário Oficial nº 5622, de 29 de outubro de 2001, pág. 21, traz a publicação da concessão da progressão funcional de Marquinhos Trad, matrícula nº 1876, cargo assistente jurídico; enquanto o Diário Oficial nº 5667, de 09 de janeiro de 2002, pág. 51, traz a publicação do deferimento da prorrogação da cedência de funcionários para a prefeitura, dentre os quais Marquinhos Trad.

O Diário Oficial de MS nº 6915, de 23 de fevereiro de 2007, pág. 22, traz a publicação do deferimento da opção de vencimento de Marquinhos Trad.

“Como se vê, nessas publicações fica patenteado que Marquinhos Trad é funcionário efetivo da Assembleia Legislativa de MS”, reforça Athayde.

EFETIVIDADE FUNCIONAL

O candidato do PPS observa que a Constituição Federal de 1988, em seu Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 19, prescreve que os servidores públicos civis que tinham pelo menos cinco anos continuados de efetivo exercício na data da promulgação da Constituição (1988) são considerados estáveis no serviço público.

“Ocorre que o senhor Marcos Marcelo Trad – é servidor público efetivo da Assembleia Legislativa, mas não deveria sê-lo, pois foi nomeado pelo seu pai em 1986. Retroagindo 5 anos desde 1988, chega-se ao ano de 1983. Portanto, essa efetividade (a CF fala em Estabilidade) funcional é precária, inexistente ou nula”, contesta Athayde, que é ex-vereador.

“O senhor Marcos Trad jamais falou/externou que é servidor público da Assembleia, conforme atestam as biografias existentes em seu site WWW.marquinhostrad.com, facebook  WWW.facebook.com/marquinhosmtrad, WWW.al.ms.gov.br/marquinhostrad (site da assembleia legislativa). Sempre houve omissão dessa qualificação funcionário público. No dia 16 de dezembro de 2010, o site campograndenews trouxe a manchete “Marquinhos Trad afirma que é impossível viver com 11 mil reais”. No conteúdo da citada matéria, Marquinhos Trad deixa bem evidenciado que após se eleger vereador, teve de deixar sua atividade profissional, a advocacia.

“Como assim? Ele não era funcionário público? Tal afirmação corrobora, ainda mais, a condição de Fantasma da Assembleia”, relata o candidato.

Comentários

comentários