Manifestantes condicionam reabertura de fronteira à aceitação de renúncia de Evo pelo Parlamento

A fronteira do Brasil com a Bolívia em Corumbá (MS) fechada há 20 dias por manifestantes será reaberta assim que o Parlamento aceitar a renúncia de Evo Morales e de deputados ligados à ele, segundo o representante do Comitê Cívico de Puerto Quijarro, Marcelito Moreira.

Fronteira de Corumbá com a Bolívia segue fechada e manifestantes aguardam determinação do Comitê de Santa Cruz Foto Diário Corumbaense

O Parlamento da Bolívia recebeu nesta segunda-feira (11) a carta com o pedido de renúncia de Evo à Presidência do país. No texto, obtido pelo jornal “El Deber” e pela agência EFE, o ex-presidente afirma que se retirou do poder devido a “um golpe de estado político cívico policial”.

“Minha responsabilidade como presidente indígena e de todos os bolivianos é evitar que os golpistas sigam perseguindo meus irmãos e irmãs dirigentes sindicais, maltratando e sequestrando seus familiares, queimando casas de governadores, de parlamentares e de conselheiros”, afirma Evo, em carta.

A segunda vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez, disse que a carta de renúncia será apreciada em sessão nesta terça-feira, às 11h30 (horário local, 12h30 em Brasília). Além disso, Añez reivindicou o direito de assumir interinamente a Presidência da Bolívia – afinal, o vice de Evo e os presidentes da Câmara e do Senado também renunciaram.

Evo comunicou a renúncia ainda na noite de domingo, após escalada nos conflitos que tiveram início com denúncias de fraude nas eleições que dariam ao então presidente o quarto mandato consecutivo.

Por causa da manifestação de bolivianos, o comércio de Corumbá registra prejuízos. Segundo a Associação Comercial e Industrial do município, a perda é de R$ 300 mil diariamente. Além disso, 40 transportadoras internacionais estão sendo afetadas.

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