Manifestação pede respeito às mulheres após morte brutal de professora

Diário Corumbaense/N

Em uma semana, Corumbá registrou dois casos de violência contra a mulher. Em um deles, a vítima sobreviveu depois de ser agredida a facadas e com uma pedra. No outro caso, ocorrido no domingo (10), a professora Nádia Sol Neves, de 38 anos, foi brutalmente assassinada com 36 golpes de faca, pelo ex-companheiro Edevaldo Costa Leite, de 31 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. Era o dia do aniversário da professora.

O caso chocou a população e muita gente vestiu a cor preta, em sinal de luto, para pedir respeito e mais rigor do Judiciário em relação aos autores de feminicídio.

Manifestantes saíram às ruas pedindo respeito às mulheres Foto Anderson Gallo/Diário Corumbaense

As manifestações tiveram início logo cedo na rua Quinze de Novembro, esquina com a Dom Aquino, mobilizada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres. Neste ponto de encontro, os manifestantes saíram em direção ao Cemitério Santa Cruz, se encontrando com outro grupo, integrado por servidores da educação, com apoio de mulheres e outros órgãos. Depois, a mobilização chegou ao Fórum de Corumbá e por último na Delegacia de Polícia Civil.

“É um cenário triste, a violência, parece que ressurge de forma avassaladora. No caso da Nádia, o autor não deu chance de defesa, se mostrando violento, possessivo, premeditando o que de iria fazer. Os juízes que são detentores das Leis, que tomem providências. Existe uma Lei (Maria da Penha) que é considerada a terceira melhor do mundo e ela não está sendo cumprida, que todos os órgãos onde uma mulher vá pedir ajuda, que ela seja respeitada, que seja ouvida, se ela for na Polícia por vinte vezes, ela tem que ser atendida de forma humana. Quem sabe o que ela sofre em quatro paredes?. Temos que ser mais humanos, aprender a ouvir, não naturalizar a violência”, disse ao Diário Corumbaense a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres em Corumbá, Wania Alecrim.

Ainda conforme ela, com a morte da professora, o primeiro de  2019, em Corumbá, desde o ano passado, já são três casos de feminicídio, e mais um em Ladário.  “Este cenário tem que mudar imediatamente. União das forças e depois desse episódio triste talvez quem tem o poder de decisão nos ouça de verdade, que não fiquem achando que isso é ‘mimimi’ de mulher, isso é sério. O Brasil está em quinto lugar no ranking de violência contra a mulher, o Mato Grosso do Sul, aparece como o terceiro estado em feminicidio e Corumbá começou a despontar porque não temos atitudes concretas”, afirmou Wania que garante que os trabalhos da coordenadoria o qual está à frente, serão ainda mais frisados de foram estratégica. “Para combater a violência contra a mulher é necessário o envolvimento de todos, incluindo juízes, promotores e defensores públicos. Quando a gente fala de uma rede forte é quando chega o final do mês e na reunião o qual solicitamos, que todos possam estar e não mandar representante que não tem voz e nem poder de decisão. A nossa rede vai ser pensada em cima daquilo de quem tem o poder de decisão para que coloque as estratégias de enfrentamento de verdade”, falou.

Nádia foi morta pelo ex, que não aceitava o fim do relacionamento

“Precisamos que Corumbá se una em prol das mulheres. Nós temos uma Câmara masculina, com homens sensíveis e deles esperamos que possam estar engajados nessa luta. Eles foram eleitos por mulheres. Que possam fazer o papel que cabe a eles”, completou Wania Alecrim.

A diretora da escola Municipal Pedro Paulo de Medeiros, Tânia Maria da Costa Guimarães, colégio onde Nádia trabalhava, contou que ela já havia sofrido violência por parte de Edevaldo. “Uns três meses atrás, ela contou que em uma discussão, ele teria jogado o celular dela no chão e quebrado e por esse motivo não queria mais manter relacionamento com ele. Nós perdemos uma amiga, uma mulher, uma mãe e uma profissional incrível, que amava o que fazia. Nádia morreu porque pedia respeito a ela. Sua vida foi tirada no dia do aniversário, quando completou seus 38 anos. Trabalhávamos há 10 anos juntas”, lembrou revoltada a diretora.

A primeira-dama e secretária especial de Direitos Humanos, Amanda Balancieri Iunes, disse que é preciso mais união de todos para combater este tipo de crime. “Nós mulheres temos que nos unir e não admitir mais este tipo de violência. Não adianta meia dúzia se unir aqui se a sociedade não ajudar. ‘EU Meto Colher’ sim. As políticas públicas estão chegando até as mulheres e elas estão se encorajando em denunciar. A Lei Maria da Penha que seja cumprida, tem que ser eficaz e vamos buscar forças dos nossos deputados eleitos, junto ao Congresso, para que essas leis sejam colocadas em prática. Não vai ser uma medida protetiva que vai salvar uma vida. É preciso muito mais rigor”, pediu Amanda.

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