Mandado de prisão é cumprido e quinto fazendeiro vai para penitenciária

Todos os cinco mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal de Dourados contra produtores rurais por envolvimento na morte de indígena no dia 14 de junho, próximo a Fazenda Yvu, em Caarapó, foram cumpridos, segundo anunciou na tarde desta segunda-feira (22) o MPF (Ministério Público Federal).

Conflito aconteceu no dia 14 de junho
Conflito aconteceu no dia 14 de junho

O único que ainda não havia sido levado pela Polícia Federal, Dionei Guedin, se apresentou e foi encaminhado à PED (Penitenciária Estadual de Dourados).

Além dele, Jesus Camacho, Nelson Buianain Filho, Virgílio Metifogo e Eduardo Yoshio Tomonaga, o “Japonês”, acabaram detidos na quinta-feira passada durante força-tarefa realizada na região.

Os mandados foram expedidos após investigações sobre a morte do indígena Claudioldo Aquileu Rodrigues de Souza, 20, no dia 14 de junho passado na região da fazenda Yvu, no município de Caarapó. Na ocasião houve confronto entre índios e fazendeiros.

Arsenal

Onze armas e 310 cartuchos foram apreendidos com os quatro fazendeiros presos quinta-feira (18). De acordo com o MPF, as armas são compatíveis com os vestígios encontrados na fazenda Yvu, onde ocorreu o tiroteio, há dois meses.

Conforme o MPF, a força-tarefa “Avá Guarani”, que resultou na prisão dos fazendeiros, encontrou 11 armas, 310 cartuchos e dois carregadores de pistola nas residências e propriedades dos fazendeiros.

De acordo com os autos de apreensão, foram encontrados dois revólveres e um rifle calibres 38, uma pistola calibre 380 e sete espingardas calibres 16, 22, 28, 32, 36 e 38. Dos 310 cartuchos recolhidos, 91 eram de calibre 22, 67 para pistola 380 e 54 unidades de calibre 38.

Investigação

A força-tarefa (FT) Avá Guarani, do Ministério Público Federal, foi instituída pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apurar crimes contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. Em 10 meses de investigações, doze pessoas já foram denunciadas por formação de milícia privada contra os índios em outro caso e, agora, cinco foram presas preventivamente.

Para o MPF, a força-tarefa “é uma maneira de dar uma resposta efetiva aos milhares de indígenas vítimas de violência, que poderiam deixar de acreditar na Justiça por causa da impunidade”. Só nos últimos 10 anos, pelo menos um índio foi morto por ano em decorrência do conflito fundiário em Mato Grosso do Sul.

O conflito

No dia 13 de junho, o proprietário da Fazenda Ivu em Caarapó, registrou ocorrência policial alegando que indígenas teriam fechado uma estrada que dá acesso à fazenda. Ela fica em um local isolado e para chegar até ela é preciso passar por uma estrada nas imediações da aldeia Tey Kuê.

Na manhã do dia seguinte a tensão tomou conta do local e houve conflito, que resultou na morte do indígena, filho do vice capitão da aldeia e mais índios feridos. Policiais que faziam a segurança no local foram sequestrados e liberados, e viaturas queimadas.

Desde então, esta região está tomado por forças de segurança. Na época pelo menos cinco fazendas e oito sítios da região foram ocupados por índios. Eles reivindicam a área como sendo terra tradicional indígena e pedem agilidade na demarcação, já que existe estudo antropológico envolvendo o território.

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