Mãe obrigou filha adolescente abortar, diz polícia

Jackson Nogueira

A Polícia Civil de Campo Grande concluiu que a mãe da adolescente de 17 anos que abortou um feto de cinco meses em 15 de março, no bairro Guanandi, região sul da Capital, foi a mentora do crime e obrigou a própria filha a tomar grandes doses de medicamentos abortivos.

Feto foi enterrado em caixa de sapato no quintal da casa, diz polícia (Foto: Polícia Civil de MS/ Divulgação)

Além dela estão presos uma enfermeira e um pedreiro. Um outro homem foi indiciado por falso testemunho e a polícia investiga a participação de uma quinta pessoa.

Foi a família do ex-namorado da adolescente que denunciou o caso à polícia. No primeiro depoimento, a garota disse que fez o aborto sozinha. Peritos e investigadores foram à casa dela e encontraram o feto de 5 meses enterrado no quintal.

Segundo a polícia, alguns detalhes chamaram a atenção dos peritos e os investigadores desconfiaram que a adolescente não tivesse condições físicas para fazer o aborto sozinha. Além disso, a cova era muito grande para ela ter aberto sozinha depois de ter abortado e ela não tinha calos nas mãos.

Os peritos também levaram em consideração que ela não teria forças depois de ter ficado dois dias em jejum tomando chá pra tentar abortar. Ela ainda teve hemorragia e tudo isso causa fraqueza.

As investigações apontaram que a mãe não aceitava a gravidez e o relacionamento da filha, porque o namorado era pobre. Quando soube da gestação da filha, ela entrou em contato com o pedreiro, que conhecia a enfermeira. A profissional de saúde intermediou a compra dos remédios para o aborto.

Segundo a polícia, no dia 13 de março, a menina tomou quatro comprimidos, cada um custou R$ 200. O procedimento não deu certo e a garota tomou mais quatro depois. A família do ex-namorado então denunciou.

A versão foi explicada nesta terça-feira (16) pela delegada Aline Sinnott, titular da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), responsável pela investigação. “A menina não queria (o aborto). Ela enterrou o corpo com muito zelo, rosas e um terço, meio que fez um velório”, disse Aline.

Segundo a polícia, a investigação mostrou que a mãe e o pedreiro, que estavam na residência no momento que os investigadores chegaram, enterraram o feto. Pás e outras ferramentas foram apreendidas na casa do acusado, amigo da consultora de vendas.

Segundo a polícia, a mãe da adolescente vai responder pelos crimes de aborto provocado sem consentimento da gestante, ocultação de cadáver, corrupção de menores e associação criminosa. Com a prisão da mãe, a garota foi entregue ao pai.

O pedreiro foi indiciado por participação no aborto, ocultação de cadáver, associação criminosa e tráfico de drogas, porque intermediou a compra do medicamento abortivo. A enfermeira vai responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

O namorado da mãe da adolescente foi indiciado por falso testemunho e associação criminosa porque, na época do crime, disse que a mãe da adolescente teria passado a noite do crime com ele.

Comentários