Mãe de Kauan participa de manifestação, mas quer forças para continuar buscas e auxiliar outros filhos

Lúcio Borges

Criança de 9 anos (Foto: Reprodução)

A campo-grandense Janete dos Santos Andrade, 35 anos, mãe de Kauan Andrade, 9 anos, morto e jogado no Córrego Anhanduí, há um mês, acompanhou novamente nesta terça-feira (25), mais um dia de buscas do corpo do garoto, no rio na região da saída para Sidrolândia. Hoje, foi outro momento e fardo que a mulher vem carregando, desde a confirmação no último sábado, dos crimes contra o filho, após um mês de desaparecimento do garoto, que sofreu abuso sexual, foi asfixiado e assassinado, em 25 de junho. A realidade veio a tona, conforme depoimento de um adolescente de 14 anos, que acabou apreendido por envolvimento no caso, que tem um homem de 38 anos, pedófilo, como o mentor deste e outros crimes contra crianças e adolescentes na região do bairro Coophavilla 2.

Janete, nesta tarde de terça-feira (25), ainda tirou forças para participar de uma ‘manifestação’ por Justiça no caso e ‘Por nenhum Kauan a menos’ em nossa cidade, mesmo ante que pela manhã, voltou chorando pela quase desesperança de ao menos encontrar os restos mortais para enterrar a criança, bem como para encarar a realidade de ainda ter que falar do ocorrido aos outros irmãos, que não sabem do fato e já estão perguntando sobre Kauan. “Estou sem forças, inclusive, para acompanhar as buscas, mas farei o possível para ver se tenhamos ele para dar a última morada. Porém, o que está pesando ainda, é os irmãos de 2, 3, 6 anos e até um bebê de 8 meses, que estão perguntando do Kauan, e, ainda, não falamos o que aconteceu realmente. Tenho que fingir que estou alegre por eles, porque eles também precisam de mim”, declarou a mãe.

A jovem senhora, não bastasse a dor de perder mais um filho, está em busca de forças para driblar as perguntas de irmãos mais novos sobre o paradeiro do familiar. “Agradeço o apoio que tenho recebido dos familiares, conhecidos e até desconhecidos. Mas, quero mais forças, até para acompanhar as buscas, e para amenizar a dor de não poder contar o que houve para os irmãos mais novos do menino”, disse Janete durante manifesto na Praça Ary Coelho, nesta tarde, onde familiares do menino e mães de outras crianças do bairro pedem Justiça ‘Por nenhum Kauan a menos’.

Grupo de cerca de 30 pessoas se reuniu com cartazes para pedir Justiça e celeridade nas investigações sobre a morte e desaparecimento do corpo do garoto. Entre os participantes, a mãe, padrasto e avó de Kauan. Mães de outras crianças reforçaram o movimento por não se sentirem mais seguras em deixar os filhos brincarem pelas ruas do bairro onde o crime ocorreu. “A ‘falsa’ esperança de Kauan retornar também acompanha os familiares, que enfrentam, além da tragédia, a ausência do corpo de Kauan”, disse a avó Nilza dos Santos Andrade, de 72 anos, que ainda lembra da alegria e obediência do menino, “Ele era muito obediente e não precisava falar duas vezes. Quando cai a noite parece que ele vai voltar. O videogame está lá esperando ele voltar”, finalizou.

Caso

Kauan desapareceu da casa da família, no Aero Rancho, no dia 25 de junho. O menino cuidava carros na região quando foi visto pela última vez. A família registrou boletim de ocorrência e as investigações foram realizadas pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). Foram praticamente 30 dias sem notícias até o último sábado (22), quando o caso foi esclarecido.

Durante as investigações do desaparecimento, um adolescente de 14 anos acabou apreendido por envolvimento no crime. Ele relatou à polícia que atraiu Kauan na noite do dia 25 de junho para a casa do pedófilo. A criança teria falecido enquanto era violentada.

Com Kauan inconsciente, não se sabe ainda se desmaiado ou já sem vida, os suspeitos colocaram o corpo do menino em saco plástico e ‘desovaram’ no Córrego Anhanduí, por volta da 1 hora do dia 26 de junho.

O suspeito de matar Kauan nega as acusações, mas de acordo com o delegado Paulo Sérgio Lauretto, o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, na casa do revendedor de celulares, não deixam dúvidas da autoria.

Na casa do homem, que também já teria dado aulas de português em uma escola do Portal Caiobá, a polícia encontrou sangue na cama, no chão e no porta-malas do carro, além de material pornográfico no computado. Dois dos filmes apreendidos mostravam cenas com o próprio suspeito.

Sobre o local onde o corpo foi deixado, segundo a autoridade policial, o adolescente apresentou contradição. Ele afirma que entrou no carro do pedófilo, com o corpo no porta-malas, mas que não desceu do veículo para jogar o corpo. O criminoso teria ido sozinho às margens do córrego e permanecido por aproximadamente 30 minutos.

Comentários