Maduro inicia exercícios militares com gritos de ‘Fora Trump’

VEJA/JP

Nicolás Maduro iniciou neste domingo 10 uma série de exercícios militares que se estenderão até sexta-feira 15, e aproveitou a ocasião para criticar seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Que Donald Trump não nos ameace. Fora Donald Trump da Venezuela, fora com suas ameaças, aqui há forças armadas e aqui há um povo para defender a honra, a dignidade e o decoro de uma pátria que tem mais de 200 anos de luta”, disse Maduro em um ato com militares no estado de Miranda, próximo a Caracas.

Na atividade, que foi transmitida pela emissora estatal VTV, o governante anunciou que aprovará os investimentos que sejam necessários para que Venezuela “tenha todo seu sistema de defesa antiaérea e antibalística”.

“Para fazer de nossos lares e povos lugares inexpugnáveis, inexpugnáveis pelo ar. Porque pela terra não se podem colocar porque aqui estão os soldados de Bolívar que fariam o império americano pagar caro por qualquer ousadia de tocar o sagrado solo da pátria venezuelana”, completou.

Os exercícios, que envolvem civis e militares, foram convocadas por Maduro depois que o Parlamento, de maioria opositora, não lhe reconheceu como presidente legítimo no mês passado, no início do seu segundo mandato.

O chefe da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino do país e conta com o apoio de vários países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, cujo governo reiterou que considera todas as opções, inclusive a militar, para tirar o chavismo do poder.

Ameaças chavistas

Também neste domingo, Guaidó relatou que a avó da sua esposa foi amedrontada por “coletivos”, como são conhecidas as organizações paramilitares de civis habitualmente armados que atuam em defesa do chavismo.

“No dia de ontem em Tovar, onde vive a bisavó de Miranda, minha filha; a avó de Fabiana, mandaram alguns coletivos à casa da bisavó”, afirmou Guaidó a jornalistas em Caracas ao final de uma missa dominical.

A avó da sua esposa, Fabiana Rosales, tem 83 anos e 35 netos, segundo detalhou Guaidó, que qualificou sua família como “muito humilde”.

“É uma bisavó, uma mulher de 83 anos, muito devota, muito católica. Eles que não acreditem que vão intimidar uma avó, uma família que está como sempre dando catequese”, comentou Guaidó, que também foi reconhecido como presidente interino pelo Brasil e por vários países da União Europeia (UE).

Nesse sentido, o líder parlamentar pediu ao oficialismo que “amarre os seus loucos” porque “não é prudente ameaçar bisavós, a toda uma família católica venezuelana”.

“Como dissemos, que não tenham dúvida que seguiremos com a cabeça em pé, com o peito descoberto, porque o que está acontecendo na Venezuela é irreversível e, apesar das ameaças, seguimos adiante denunciando cada um desses casos”, finalizou.

No último dia 31 de janeiro, Guaidó informou que agentes da polícia foram à sua casa e perguntaram pela sua esposa, a quem esperavam interrogar e amedrontar.

Guaidó responsabilizou então o governo de Nicolás Maduro pela segurança da sua família e disse que soube da ação policial graças ao alerta de vários dos seus vizinhos.

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