Macri anuncia congelamento para conter inflação e tentar baixar crise

Maurício Macri, presidente da Argentina — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian
Maurício Macri, presidente da Argentina — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian

O governo da Argentina anunciou nesta quarta-feira (17) uma série de medidas com o objetivo de conter a inflação galopante e reativar o consumo no país, em meio a uma crise que compromete seriamente as probabilidades de reeleição do presidente Mauricio Macri.

“As medidas principais que estamos lançando são fruto de um acordo com empresas líderes para manter por ao menos seis meses os preços de 60 produtos essenciais e o não aumento de tarifas de serviços públicos para este ano”, informou o governo por meio de um comunicado, segundo a Reuters.

É um acordo entre o governo e as empresas com o objetivo de “aprofundar a luta contra a inflação e ajudar a reativar a economia”, segundo o documento divulgado nesta quarta-feira pela Presidência.

Entre os produtos que terão seus preços congelados por seis meses estão óleos, arroz, farinha, macarrão, leite, iogurte e açúcar, entre outros. Também inclui alguns cortes de carne bovina, afirma a AFP.

Quanto às tarifas de serviços públicos como energia elétrica, gás, transporte público e telefonia celular, o governo concordou que não haverá novos aumentos no ano e, inclusive, assumirá a diferença com alguns já autorizados às empresas. As taxas, que por anos tiveram importantes subsídios, são um dos itens que mais aumentaram nos últimos anos.

Aposentados e famílias que recebem assistência social terão alguns benefícios com acesso ao crédito.

As medidas foram anunciadas semanas depois de ter sido registrado um aumento na pobreza no país no último ano. Isso é resultado da alta inflação – que só em março foi de 4,7% e que soma 54,7% nos últimos 12 meses – e da queda da atividade econômica.

Veja a lista de medidas anunciadas

  • Acordo com 16 empresas para que 60 produtos da cesta básica tenham seus preços mantidos por ao menos 6 meses, incluindo azeites, arroz, farinhas, leite, iogurtes;
  • Empresas se comprometem a assegurar a disponibilidade desses produtos em 2,5 mil pontos de venda do país, a partir de 22 de abril;
  • Descontos entre 10% e 25% em supermercados e outros negócios para os 18 milhões de beneficiários do Anses, o seguro social da Argentina;
  • Linha de crédito de cerca de 124 bilhões de pesos (cerca de R$ 11,97 bilhões) para os beneficiários do Anses;
  • Encaminhamento da Lei de Lealdade Comercial, para evitar abuso de poder pelas grandes empresas;
  • Frigoríficos exportadores venderão 120 mil quilos de carne no mercado interno por semana, a preço fixo de 149 pesos (cerca de R$ 14) por quilo;
  • Congelamento de preços da eletricidade residencial até o final do ano;
  • Aumento escalonado do preço do gás apenas até junho;
  • Congelamento de preços de ônibus e trens metropolitanos até o final do ano;
  • Congelamento de preços de pedágio nas rodovias controladas pelo Governo Federal;
  • Operadoras de telefonia celular aceitaram manter o preço das linhas pré-pagas até 15 de setembro;
  • Descontos em farmácias para beneficiários de determinados programas sociais;
  • Créditos para conexão de 70 mil residências à rede de gás;
  • Nova convocatória de inscrições para programa de habitação subsidiada;
  • Renegociação de dívidas fiscais de pequenas e médias empresas.

Após a divulgação da alta inflação de março, o banco central argentino anunciou na terça-feira (16) um maior aperto na política monetária para ajudar a conter os preços no varejo.

A Argentina sofre com inflação alta há décadas, mas a depreciação do peso, a moeda local, em 2018 alimentou os ajustes de preços, incluindo tarifas de serviços públicos que são reguladas pelo governo ainda são mantidas.

Em meio à crise cambial do ano passado, Macri buscou ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o qual acertou uma linha de crédito de US$ 56 bilhões. Vários candidatos da oposição à presidência já disseram que vão rever o acordo se eleitos.

O peso argentino avançava nesta quarta, após as medidas anunciadas pelo banco central argentino, o que dava alívio ao governo. No entanto, o mercado de ações e os títulos caíam, e o risco país subia.

Até meses atrás, analistas davam como certa a reeleição de Macri nas eleições de outubro, mas sua imagem sofreu um colapso nas pesquisas, que agora são lideradas pela ex-presidente de centro-esquerda Cristina Fernández de Kirchner. Macri disse que buscará se reeleger.

“Nós vamos vencer essa batalha”, disse Macri nesta quarta em vídeo, transmitido pelo governo, no qual ele é mostrado conversando com um casal de cidadãos argentinos na sala de sua casa.

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