Lula diz à PF que jamais tratou de dinheiro com Bumlai

Em depoimento à Polícia Federal na Operação Lava Jato, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ser amigo do pecuarista José Carlos Bumlai, que está preso. No entanto, negou que essa proximidade tenha resultado em qualquer benefício financeira para o ruralista.

Foto Divulgação
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O ex-presidente afirmou aos investigadores que conheceu o empresário durante a campanha eleitoral de 2002. Lula contou que chegou a hospedá-lo algumas vezes na Residência Oficial da Granja do Torto, em Brasília, mas nunca no Palácio da Alvorada. Ele também declarou que não pediu a Bumlai que contraísse empréstimo para o PT. “[Lula] não tratou com Bumlai sobre eventual empréstimo contraído por ele em beneficio do PT. Jamais tratou com Bumlai sobre dinheiro ou valores, o que o declarante ressalta como algo merecedor de respeito. Tomou conhecimento dos boatos sobre a contratação deste empréstimo através da imprensa, há algum tempo”, diz o depoimento.

De acordo com a PF, Bumlai usou contratos firmados com a Petrobras para quitar empréstimos com o Banco Schahin. Segundo os procuradores, depoimentos de investigados que assinaram acordos de delação premiada revelam que o empréstimo de R$ 12 milhões se destinava ao PT e foi pago mediante a contratação da Construtora Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.

Em depoimento à PF, o empresário confessou que o empréstimo tinha por real destinatário o PT e que a quitação foi fraudulenta. Ontem, o juiz federal Sérgio Moro negou pedido de habeas corpus feito pela defesa do pecuarista que continuará detido. O ex-presidente prestou depoimento na condição de informante no principal inquérito da Operação Lava Jato que tramita no Supremo. A investigação envolve 39 pessoas.

Para a PF, Lula poderia contribuir com as investigações por ter sido presidente da República na época dos fatos investigados. Aos investigadores, Lula declarou que “não crê” que os partidos políticos que formaram a base aliada de seu governo receberam vantagens indevidas em contratos da Petrobras.

Questionado sobre a que atribui a existência de pessoas de seu governo que são investigadas na Lava Jato, Lula disse que isso se deve ao processo de transparência dos órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e a Controladoria-Geral da Uni o (CGU) durante os últimos 12 anos, além da imprensa livre e a um processo de criminalização do PT.

Com informações da Agência Brasil

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