Levy admite conversa com Planalto sobre saída do governo

Depois de se despedir da equipe nesta quinta-feira (17/12), hoje de manhã foi a vez de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dizer adeus a jornalistas, com o cuidado de negar isso o tempo todo e tergiversar sobre a sua saída do governo, ainda que o ministro-chefe da Casa Civil, Jacques Wagner, tenha dito que o Planalto já está a procura de um substituto para o comando da economia.

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No café da manhã de fim de ano com jornalistas, Levy não respondeu diretamente se deixará ou não o governo, mas emitiu sinais de que é o que ocorrerá em breve. Perguntado se conversou sobre isso com a presidente Dilma Rousseff, Levy afirmou que não quer “criar constrangimento ao governo.” Ao falar sobre qual o perfil ideal para um ministro da Fazenda, ele disse que deve ser “um técnico”.

Indagado se confirmava ou negava sua demissão, ele respondeu apenas, sorrindo, “pelo contrário”. Aproveitou para citar o ex-ministro Pedro Malan para dizer que a conversa da véspera na sala de reuniões do Conselho Monetário Nacional (CMN), quando disse que não estará na próxima reunião, deveria ser mantida sob sigilo.

“Não sei de onde vem essa informação. Eu sempre repito o que disse o nosso saudoso ministro Malan. Que tudo o que é tido nesta sala, tanto do ponto de vista oficial, quanto elogios e chistes, permanecem exclusivamente nesta sala”, afirmou Levy. Depois corrigiu-se sobre o termo saudoso ao lembrar que Malan está vivo. Neste fim de semana, Levy viaja para São Paulo e depois seguirá para Washington, onde passará o Natal com a família.

Ao ser questionado várias vezes pelos jornalistas se ele se sentia traído por não ter conseguido executar seu trabalho na totalidade. Ele afirmou. “Eu não me sinto traído, mas me sinto um pouco decepcionado porque as principais medidas de aumento da justiça tributária não tenham tido o mesmo curso”, destacou ele, citando a proposta sobre juros sob capital próprio. “Alguns especialistas dizem que isso merece um trabalho continuado, diminuindo de vez a diferença tributária entre quem ganha muito e pouco sobre os ganhos de capital”, afirmou. Para o ministro, haveria justiça entre quem ganha pouco e quem ganha mais de R$ 2 milhões e vende um apartamento, porque as alíquotas seriam diferenciadas.

Ele disse achar que os riscos de impeachment da presidente Dilma Rousseff são cada vez menores. “As pessoas não querem mais incerteza.”

CORREIO BRAZILIENSE

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