Lama Asfáltica: empresário de gráfica e ex-secretário são presos após Puccinelli colocar tornozeleira

Lúcio Borges

Ex-governador na entrada da Superintendência da PF.

A quarta fase da Operação Lama Asfáltica, hoje denominada Máquinas de Lama, além de levar em teórica prisão o ex-governador André Puccinelli (PMDB) para a PF (Polícia Federal), no início da quinta-feira (11), prendeu na pratica André Cance, ex-secretário-adjunto da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) e o dono da gráfica Alvorada, Micherd Jafar Junior. O empresário e o ex-agente público, são personagens que desde o inicio das investigações foram envolvidos ou relacionados nas acusações que pesam no processo de desvios de recursos públicos na então administração do peemedebista. A Lama Asfáltica, iniciada em julho de 2015, já teve nas fases anteriores: 1ª do nome geral/principal, na 2ª Fazendas de Lamas e 3ª Aviões de Lamas, revelado que houve um desvio de, ao menos, R$ 400 milhões, pela organização criminosa, assim já descrita pelas investigações da PF e CGU (Controladoria Geral da União).

O ex-governador que foi levado para depor na PF, já teria como alternativa à prisão, o uso de uma tornozeleira eletrônica. A ação está se confirmando, pois Puccinelli foi levado para o local no centro de Campo Grande, onde se faz a colocação do material. Para o empresário e ex-secretário, conforme a PF, a prisão é preventiva, aquela que não tem duração estipulada. Ainda há um terceiro mandado de prisão, mas até o fechamento da matéria, a Federal, não havia informado o nome e se a detenção foi cumprida.

No inicio da manhã, às 6 horas foram a casa do ex-governador e começaram a cumprir 44 mandados entre prisões, condução coercitiva – quando a pessoa a obrigada a depor -, busca e apreensão em quatro cidades de MS e outro dois estados. A PF foi cumprir mandados além da Empresa Alvorada, de Jafar Junior, em diversas outras, como Digix (Digitho Brasil), HBR Medical e H2L Soluções, que tiveram ou possuem contratos milionários com a administração estadual. E na área governamental, ainda há busca na Secretaria de Educação, onde recai uma das ações que teria os alvos da gráfica envolvida, na confecção de livros didáticos superfaturados e que nem foram distribuídos as escolas.

As autoridades da ação desta manhã a PF, ainda não detalharam os fatos atribuídos a cada um. Às 10 horas, será dada uma coletiva de imprensa para explicar os detalhes da operação. Contudo, a Máquinas de Lama, de acordo com a Polícia, vem em nova fase desencadeada depois de investigação e provas colhidas em fases anteriores. As fraudes em licitações, superfaturamentos em obras públicas e pagamento de propinas desviaram valor estimado em R$ 150 milhões.

Máquinas de Lama

A quarta fase foi intitulada Máquinas de Lama, pois de acordo com a Polícia Federal, os valores de propina pagos eram justificado com o aluguel de máquinas, geralmente com o único propósito de justificar os pagamentos. A PF acusa Puccinelli de liderar uma organização criminosa para fraudar licitações e obras públicas, corromper servidores e levar dinheiro. Só nesta fase o prejuízo seria dos 150 milhões aos cofre, a máquina pública, que teria ficado com ‘lama’.

Reprodução TV Morena

Retrospecto de inicio da Lama Asfáltica – Fases em resumo

Alvorecer – 1ª fase – No dia 22 de dezembro de 2014, a PF (Polícia Federal) interceptou ligação entre André Cance, que foi secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Fazenda, e o então governador André Puccinelli. No diálogo, ele menciona que precisa falar com Cance para “que amanhã tenha uma boa alvorada”.

Em seguida, Cance liga para Micherd Jafar Junior, dono da Gráfica Alvorada, e marca um encontro imediato.A suposição é de que o encontro teve por finalidade o recebimento de propina. No dia 26 de dezembro, em novo telefonema, Puccinelli lembra Cance de levar documentos e especificou que tinha “mais os outros da gráfica também”.

Ex-secretário Andre Cance

Cance responde que já conseguiu o da gráfica e se é para levar também. No dia 29 de dezembro, a conversa entre o empresário João Amorim e Cance seria, conforme a a investigação, sobre repasse de valor recebido na Gráfica Alvorada.

1ª Fase – Os áudios constam na primeira fase da Lama Asfáltica, realizada em 9 de julho de 2015. Ate então, a gráfica era apontada como fonte de pagamento de propina e elo entre o ex-governador e um esquema de desvio de dinheiro público.

A preferência do governo estadual pela gráfica se intensificou no quarto trimestre de 2014, no fim do mandato de Puccinelli.

2ª fase – ocorreu em maio de 2016, com as investigações pela “Operação Fazenda de Lamas”, que apuraram que os envolvidos teriam desviado R$ 44 milhões de um total de R$ 194 milhões avaliados por equipes da CGU, Receita Federal e PF, em primeira amostra das fraudes realizadas pela organização criminosa.

Na época foram 15 detidos inicialmente, que tiveram suas prisões preventivas decretadas o empresário João Krampe Amorim dos Santos, dono da Proteco e sua filha, Ana Paula; a sócia e secretária de Amorim, Elza Cristina Araújo dos Santos; o servidor da Agesul e ex-deputado estadual Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano e sua filha Mariane; o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras do Estado, Edson Giroto e sua esposa Rachel, que está em prisão domiciliar e o empresário Flávio Henrique Garcia Scrocchio, preso no interior de São Paulo na semana passada.

3ª fase –  a PF, CGU e Receita fizeram em julho de 2016, ações que fazem parte da 3ª Fase da Operação Lama Asfáltica, denominada ‘Aviões de Lama’. A operação aconteceu até em Mato Grosso e São Paulo, como em MS, com intenção de desmantelar grupo criminoso que desviava recursos públicos de contratos de obras públicas, fraudes em licitações e recebimento de propinas que resultou em crimes de lavagem de dinheiro.

Aproximadamente 20 policiais cumpriram três mandados de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Cuiabá (MT), Rondonópolis (MT) e Tanabi (SP). Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, especializada em crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e valores e crimes contra o sistema financeiro nacional.

A terceira fase da Lama Asfáltica decorre da análise de documentos apreendidos na segunda fase da Operação Lama Asfáltica, denominada ‘Fazendas de Lama’. Durante a segunda fase, foi possível extrair elementos indicativos que os investigados estavam dilapidando o patrimônio com revenda de bens de alto valor e entregando esses montantes para diversas pessoas, para tentar ocultar a origem do dinheiro, deparando-se com a prática de novas condutas delituosas, mesmo após a deflagração da Lama Asfáltica, na primeira operação, em julho de 2015.

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