Justiça suíça diz ter ‘indicações concretas’ de envolvimento de Cunha em corrupção

Foto Divulgação

O Tribunal Penal Federal da Suíça considerou haver “indicações concretas” e suspeitas “óbvias” e “suficientes” de que o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se envolveu em um esquema de corrupção em um negócio da Petrobras na África.

Em uma decisão de novembro – que negou o desbloqueio de contas ligadas ao peemedebista no país europeu –, a Corte detalha como Eduardo Cunha recebeu o equivalente a R$ 4 milhões na Suíça.

O documento foi divulgado recentemente, revelado nesta quinta-feira (5) pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e obtido pela TV Globo.

A transação nos bancos suíços já é foco de uma ação penal da Lava Jato na qual o deputado cassado é réu. O processo está em andamento na primeira instância da Justiça Federal em Curitiba, conduzida pelo juiz Sérgio Moro.

A defesa de Cunha diz que não teve acesso ao documento da Suíça e reafirma que o peemedebista, que está preso em Curitiba desde outubro do ano passado, é inocente. Ainda de acordo com os defensores, a inocência do ex-presidente da Câmara já está cabalmente demonstrada na ação penal a que responde na Justiça brasileira.

A decisão do tribunal suíço diz que 1,3 milhão de francos suíços (mais de R$ 4 milhões) foram transferidos para uma conta cujo beneficiário era “N”, forma oculta como Cunha é identificado no processo que tramita no país europeu.

A transferência foi feita depois que a Petrobras comprou uma parte de uma área de exploração de petróleo em Benin, na África, por US$ 34,5 milhões (equivalentes na cotação desta quinta-feira a R$ 110,7 milhões).

Em outro trecho, o documento afirma que existe uma suspeita razoável de corrupção ativa de “N”.

Processo no Brasil

No processo sobre o caso no Brasil, as investigações apontam que o empresário português Idalécio Oliveira ofereceu e pagou propina para viabilizar a venda de parte do campo de petróleo para a Petrobras.

O Ministério Público afirma que o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada atuou em conjunto com Eduardo Cunha para favorecer a empresa de Idalécio.

Ainda segundo a força-tarefa da Operação Lava Jato, os pagamentos teriam sido feitos pelo operador João Augusto Henriques, que também está preso.

Na ação, já foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa. Cunha vai ser interrogado por Moro no dia 7 de fevereiro.

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