Justiça condena 8 policiais pelo desaparecimento e morte de Amarildo

Oito policiais militares foram condenados pelo envolvimento no desaparecimento e morte do pedreiro Amarildo de Souza, 43, segundo informações do programa “Fantástico”. Ele desapareceu em julho de 2013 após ser detido por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da favela da Rocinha.

Segundo a reportagem do programa, a Justiça do Rio confirmou tudo o que as investigações tinham descoberto sobre o desaparecimento do pedreiro.

“Amarildo morreu, não resistiu à tortura que lhe empregaram. Foi assassinado. Vítima de uma cadeia de enganos. Vulnerável à ação policial. Negro, pobre, dentro de uma comunidade à margem da sociedade”, disse a juíza Daniela Alvares Prado.

No total, 25 policiais da UPP da Rocinha foram denunciados. Os oito foram condenados pelo crime de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Eles serão expulsos da Polícia Militar.

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Por ser um superior que deveria dar exemplo aos seus subordinados, o major Edson Santos recebeu foi condenado a 13 anos e 7 meses de prisão, a maior pena.

O tenente Luiz Felipe de Medeiros, subcomandante da UPP, acusado de orquestrar o crime com o major Edson, recebeu a pena de 10 anos e 7 meses de prisão.

Por ter atuado desde a captura até a morte de Amarildo, o soldado Douglas Roberto Vital Machado, pegou 11 anos e seis meses.

Os outros condenados foram os soldados Marlos Campos Reis, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Jairo da Conceição Ribas, Wellington Tavares da Silva, Fábio Brasil da Rocha da Graça. Cada um deles recebeu a pena de 10 anos e 4 meses de prisão.

Na sentença, a juíza criticou a atitude dos policiais. “Nos deparamos com a covardia, a ilegalidade, o desvio de finalidade e abuso de poder exercidos pelos réus”, disse.

Apesar da condenação dos policiais, o corpo de Amarildo até hoje não foi encontrado. Uma outra investigação continua em andamento para tentar responder o que foi feito com o corpo do pedreiro.

DESAPARECIMENTO

Amarildo desapareceu em 14 de julho de 2013, após ter sido detido por policiais militares na porta de sua casa, na favela da Rocinha, e levado à UPP da comunidade. Ele teria sido submetido à tortura e morrido na unidade policial. O corpo do pedreiro nunca foi encontrado.

Seu desaparecimento tornou-se símbolo de casos de abuso de autoridade, violência policial e deu origem a diversos protestos. O inquérito instaurado pela PM apontou o envolvimento de 29 militares no crime. Entre eles, o major Edson dos Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha.

Santos afirma ser inocente. Em entrevista à reportagem, disse que a morte do pedreiro foi uma represália dos traficantes da região por considerarem a vítima um informante dos militares.

Folha Press

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