Júri absolve Policial Militar que invadiu hospital para matar homem e vingar amigo

O trabalho da assessoria jurídica da ACS (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul) garantiu a absolvição do soldado Edevaldo Aleixo Marques Fontes, acusado de assassinar um bandido no pronto socorro de Corumbá no dia 2 de março. Em júri realizado nesta quarta-feira (23), o Conselho de Sentença da 1ª Vara Criminal da cidade decidiu que o policial não pode ser punido pelo crime.

O júri foi realizado ontem (23), no Conselho de Sentença da 1ª Vara Criminal de Corumbá
O júri foi realizado ontem (23), no Conselho de Sentença da 1ª Vara Criminal de Corumbá

A defesa foi feita pelo advogado Luis Gonzaga, que integra a assessoria jurídica da ACS. No julgamento, ele alegou inexigibilidade de conduta diversa, ou seja, que a conduta tida pelo policial não poderia ser outra, e que qualquer pessoa, no calor do momento, teria cometido o ato. Na ocasião, o bandido assassinou o também soldado João Márcio Leite da Cruz e, mesmo ferido, zombou de outros policiais no pronto socorro da cidade.

O assassinato de João Márcio causou grande comoção entre os policiais militares e repercutiu em todo Mato Grosso do Sul. Em seu enterro, o cortejo foi acompanhado por viaturas das polícias Civil, Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Federal, Samu e DOF (Departamento de Operações de Fronteira).

Desde então, a ACS, através do diretor Regional em Corumbá, Adamor Abreu, acompanhou o caso, prestando auxílio social à família do policial morto e jurídico ao soldado Fontes. Ele ficou preso após o crime, mas foi solto no dia 4 de maio.

À época, a viúva de João Márcio saiu em defesa do amigo. “Ele [Fontes] não era uma pessoa ruim, sempre foi tranquilo. Fez isso de cabeça quente, pela dor da perda de um amigo. Qualquer um poderia ter feito isso, por mais preparado que esteja. Hoje em dia, a tendência é culpar o policial. O culpado é sempre a polícia”.

O caso

O soldado João Márcio Leite da Cruz foi morto na madrugada do dia 2 de março na avenida 14 de Março, em Ladário, em frente a uma casa de pagode. João Márcio levou três tiros: um no peito, um na perna e outro na região do abdômen e foi encontrado caído em cima da moto dele.

Mesmo baleado, ele ainda trocou tiros com Jonilson Silva da Cruz, de 33 anos, que foi ferido no confronto. Ele foi levado ao pronto-socorro de Corumbá, onde momentos depois foi morto pelo soldado Edevaldo Aleixo Marques Fontes, de 38 anos, também policial militar e amigo de infância de João Márcio, depois de debochar da morte do PM, segundo informou o Comando da Polícia Militar.

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