Juíza de futebol trans diz que não sofre preconceito e conta que só se envolve com jogador

Quando ainda era chamado de Valério Fernando Gomes, a transexual Laleska, de 37 anos, era o goleiro oficial do time de futebol dos amigos de Beberibe, no Ceará. Gostou tanto da coisa que decidiu fazer carreira nos campos. Hoje apitando campeonatos no Estado, Laleska, que assumiu a identidade sexual aos 15 anos, garante que não sofre preconceito, diz que só se envolve com jogadores de futebol e declara paixão pelo clube paulista Palmeiras.

Laleska se assumiu aos 15 anos de idade Foto: Arquivo pessoal
Laleska se assumiu aos 15 anos de idade Foto: Arquivo pessoal
Laleska começou a modificar o corpo depois que se assumiu para a família, aos 20 anos Foto: Arquivo pessoal
Laleska começou a modificar o corpo depois que se assumiu para a família, aos 20 anos Foto: Arquivo pessoal

— Tinha 15 anos quando tive meu primeiro relacionamento com homem. Se soubesse que era tão bom teria feito antes — ri: — Até tentei ficar com mulheres, mas não gostei.

Após seu “lance” com um rapaz, Laleska diz que os amigos do futebol sentiram algumas mudanças em seu comportamento. Quando decidiu se assumir, a conduta do grupo, entretanto, permaneceu a mesma:

— Eles gostavam de mim e sabiam que eu jogava bem, me colocavam para jogar.

Para a família, porém, Laleska só se abriu aos 20 anos, já que o pai era severo demais. O tratamento entre os dois seguiu amistoso, mas o chefe da família nunca escondeu sua decepção.

A pelada com os amigos ficou séria e Laleska foi jogar na Abec (Associação Beberibense Esporte Clube), onde, conta, foi bem recebida:

— Alguns jogadores não gostaram muito, mas o treinador me adora até hoje — enfatiza ela.

Entre um rachão e outro, Laleska brincava de apitar o jogo, até que, em 2000, numa partida para valer, o árbitro não compareceu e foi ela lá “salvar” o torneio. Após a disputa, estava decidido: seria juíza de futebol.

— A partir daí, me transformei. Achavam, inclusive, que eu era uma mulher mesmo — lembra.

Já morando sozinha, Laleska frisa que sempre a respeitaram em campo e nunca sentiu qualquer tentativa de afastá-la dos gramados. Diz que é chamada para apitar “tudo quanto é jogo de futebol”e que desperta muita curiosidade entre os jogadores.

— Quando falo que não sou operada, pedem até para ver — afirma: — Só me envolvo com jogador. É impressionante. Mas a maioria não é assumida, e alguns são casados. Gosto dos mais novos e neste momento estou num relacionamento bem louco — entrega ela, que não quer se casar.

Repetindo algumas vezes o quanto ama futebol, Laleska conta da sua paixão pelo Palmeiras. O porquê, nem ela soube explicar, mas para seu Estado não ficar enciumado, diz que também torce para o Ceará.

— Eles estão bem. Acho que ganham o Brasileiro. Já até conheci o Arouca (volante do alviverde paulista), mas não rolou nada. Foi relação profissional. Mas eu namoraria mesmo era o Cristiano Ronaldo — sonha: — Gosto muito de futebol. Mais que de homem! — gargalha, mostrando que tem a língua bem afiada.

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