Juiz determina prisão de policial por morte de Eliza Samúdio

O juiz Elexander Camargos Diniz, da Vara do Tribunal do Júri do Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, decretou na sexta-feira (10) a prisão preventiva do policial civil aposentado José

Eliza Samúdio, morta a mando de Bruno
Eliza Samúdio, morta a mando de Bruno

Lauriano de Assis, o Zezé, acusado de participação na morte e ocultação do cadáver de Eliza Samúdio, ex-amante do goleiro Bruno e que havia ‘escapado’ da primeira leva de condenações do caso.

O mandado de prisão foi decretado sob a alegação de que a liberdade do acusado pode atrapalhar o andamento da instrução criminal. “O simples fato de se tratar de um policial civil incute temor a testemunhas e aos demais envolvidos na sequência de crimes”, apontou o juiz. Zezé foi denunciado pelo MP por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, corrupção de menores e coação no curso do processo.

Elexander Camargos Diniz determinou ainda que o segundo denunciado pelo MP, o policial civil Gilson Gosta, fique proibido de se aproximar e de manter contato com testemunhas, vítimas e informantes do processo. Costa vai responder pelo crime de coação.

Os dois policiais foram denunciados à Justiça pelo promotor Daniel Saliba de Freitas no último dia 3 de julho. Eliza e o filho foram seqüestrados em 4 de junho de 2010 em um hotel no Rio de Janeiro. A jovem foi morta seis dias depois, segundo o processo, em uma casa localizada em Vespasiano, cidade da Grande Belo Horizonte, onde morava o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

Zezé e Gilson Costa passaram a ser investigados pela Polícia Civil a pedido do MP, após as condenações de Bruno, Bola e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, ex-braço direito do goleiro. Para o promotor, Zezé teria participado do seqüestro de Eliza e do filho no Rio de Janeiro, e ainda ajudado Bola a matar e a ocultar o cadáver da modelo. Para o promotor de Justiça não há dúvidas da participação de Zezé em todas as etapas da trama.

Já o policial Gilson Costa, teria sido contactado por Zezé para ameaçar o detento Jaílson Alves de Oliveira dentro de uma delegacia, após ele ter denunciado Marcos Aparecido dos Santos, com quem dividiu uma cela no presídio de São Joaquim de Bicas.

Em depoimentos à Polícia Civil e à Justiça, Oliveira afirmou que ouviu de Bola uma confissão de que ele teria matado Eliza e sumido com o corpo. Na época, Bola teria dito a Oliveira que os restos mortais da moça só seriam encontrados “se os peixes falassem.” De acordo com as investigações, Zezé temia que Oliveira o denunciasse também e por isso solicitou a ajuda de Gilson Costa.

O juiz Elexander Camargos Diniz aceitou a tese do promotor Daniel Saliba de Freitas de que há prova da materialidade dos crimes e que existem indícios de autoria dos fatos apontados pelo Ministério Público.

Por fim, o magistrado determinou que, para se evitar o tumulto processual devido à repercussão do caso envolvendo um ex-jogador de futebol, que o processo passe a correr em segredo de Justiça. Apenas os envolvidos e advogados poderão ter acesso aos autos. Os acusados têm, a partir de sexta-feira, o prazo de dez dias para responder à acusação. Após esta etapa, o juiz poderá determinar se eles vão ou não a júri popular.

Bruno

Condenado por ter sido o mandante do crime, Bruno cumpre pena de 22 anos e 3 meses na Penitenciária Nelson Hungria em Contagem. O complexo penitenciário, ironicamente, fica a cerca de 5 km do sítio luxuoso onde Eliza e o filho ficaram em cárcere entre os dias 4 e 10 de junho de 2010.

Ele e Macarrão, que também cumpre pena no mesmo presídio, se entregaram à polícia no Rio de Janeiro em 7 de julho de 2010 e de lá para cá a dupla teve mais de 100 habeas corpus negados pelas três instâncias judiciais.

TERRA

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