JBS perde R$ 16,3 bi em valor de mercado desde a Carne Fraca

VEJA/JP

A JBS, maior processadora de carne do mundo, perdeu 16,3 bilhões de reais em valor de mercado desde que a Operação Carne Fraca foi deflagrada pela Polícia Federal, em 17 de março. Os cálculos são da consultoria Economatica.

Na véspera da operação, em 16 de março, o valor de mercado da companhia era de 32,6 bilhões de reais. Desde então, a companhia – que já era investigada em outras operações da Polícia Federal – se viu envolvida em mais um escândalo. Seu donos, Joesley e Wesley Batista, gravaram o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), além de delatarem um esquema de doações ilegais a políticos de diversos partidos.

Às vésperas do conteúdo das gravações e delações virem à tona, a empresa comprou uma quantidade enorme de dólares, lucrando com a valorização da moeda norte-americana provocada pela crise política.

A empresa informou que “tem como política e prática a utilização de instrumentos de proteção financeira visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais e de commodities provenientes de sua dívida, recebíveis em dólar e de suas operações”.

Mesmo assim, a CVM abriu cinco processos para investigar a atuação da JBS no mercado financeiro. Um deles tenta esclarecer se houve uso de informação privilegiada para negociação (insider trading) de ações e dólar no mercado futuro.

Ontem, o valor de mercado da JBS no encerramento do dia foi de 16,3 bilhões de reais. Os papéis da companhia continuam com queda hoje (-3,01%), cotados a 5,80 reais.

Sobre a desvalorização de suas ações, a JBS “informa que as operações continuam em ritmo normal, dentro do plano de negócios”. “A empresa tem uma situação financeira robusta e confia na qualidade de seus produtos e serviço.”

Além da Carne Fraca, que investiga um esquema de corrupção envolvendo fiscais da agricultura e frigoríficos, a JBS também é alvo de outras operações – a Bullish, que investiga contratos de 8 bilhões de reais uma subsidiária do BNDES com a JBS; a a Greenfield, que investiga o uso irregular de dinheiro de fundos de pensão para a JBS; a Sepsis apura liberação indevida de recursos do fundo de investimentos do FGTS; a Cui Buono, que investiga fraudes na liberação de créditos junto à Caixa Econômica Federal.

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