Investigados na Operação Lama Asfáltica adotam silêncio como estratégia

Os dez investigados na Operação Lama Asfáltica deixaram a sede do MPE (Ministério Público Estadual) na tarde de desta terça-feira (17), da mesma forma que entraram. Em silêncio.
Els foram a sede do MPE prestar depoimentos por suposto desvio de recursos destinados a obras públicas durante a administração do ex-governador André Puccinelli (PMDB. O ministério Público aponta fraudes nas obras de conservação da rodovia MS-171, na região de Aquidauana, de onde foram desviados R$ 2,6 milhões.

Amorim se limitou a desejar 'boa tarde' aos presentes Foto Paulo Francis
Amorim se limitou a desejar ‘boa tarde’ aos presentes Foto Paulo Francis

Conforme auditoria do Governo estadual, foram pagos R$ 4,5 milhões pelo serviço numa extensão de 90 quilômetros. No entanto, os técnicos constataram que só foram cascalhados 63,2 quilômetros.

O empresário João Alberto Krampe Amorim, e sua sócia, Elza Cristina Araújo dos Santos, foram os últimos a chegar. Para a imprensa, eles preferiram não realizar declarações, sendo que Amorim se limitou a desejar ‘boa tarde’ aos presentes.

O ex-secretário de obras, Edson Giroto, foi o único a ‘quebrar o gelo’ afirmando que as investigações tem cunho político

Acompanhado do advogado Douglas Wagner Van Spitzenbergen, que considera as investigações ‘infundadas’, o engenheiro civil Maxwell Tomé Gomez também evitou a imprensa. Na semana passada, Douglas já havia negado qualquer participação de seu cliente no esquema de fraude em medições que teria causado prejuízo de cerca de R$ 2,9 milhões aos cofres públicos.

Após pouco mais de uma hora, a ex-diretora da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Maria Wilma Casanova, foi a primeira a deixar a sede do MPE, também sem declarações. O mesmo fez o engenheiro Rômulo Tadeu Menossi, considerado pela Operação Lama Asfáltica, como o terceiro em comando de organização criminosa liderada por João Amorim.

Em nome do ex-diretor da Agesul, Wilson Cabral Tavares, a advogada Luciana Abou Ghattas, destacou que nenhum dos investigados foi condenado e criticou o ‘pré-julgamento’ dos supostos envolvidos. “Depois de comprovada a inocência, quem haverá de pagar danos morais e materiais?”, alfinetou.

Segundo o advogado do ex-prefeito Beto Mariano, Hilário Carlos de Oliveira, o investigado sequer participou da fiscalização da obras em questão. “Ele é engenheiro, fiscal de obras, mas nessas obras sempre era substituído. Temos que ver o real motivo da acusação”.

Os engenheiros João Afif Jorge e Donizete Rodrigues da Silveira, presos na segunda etapa da força-tarefa e liberados logo na sequência também compareceram. Além deles, prestou depoimento o empresário Fernando Cremonessi, proprietário da Provias, que teve participação na obra da MS-228.

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