Investigação na Fifa atinge ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira

(Foto: Reprodução Internet)
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José Maria Marin, preso nesta quarta-feira (27) na Suíça, não é o único ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sob suspeita de ter participado do esquema de corrupção da Fifa denunciado pelo Ministério Público dos Estados Unidos. Documento obtido por ÉPOCA aponta que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que comandou com mão-de-ferro a entidade de 1989 a 2012, teria recebido propina de José Hawilla, dono da Traffic Group, empresa que negocia direitos de transmissão de torneios de futebol, como a Copa do Brasil. De acordo com a investigação do FBI, Marin também recebeu dinheiro ilegal na mesma transação.

Principal empresa de marketing esportivo no Brasil, a Traffic teve exclusividade de direitos comerciais para a Copa do Brasil entre 1990 e 2009. De acordo com a denúncia norte-americana, esse direito havia sido obtido mediante o pagamento de propina a um “alto dirigente da Fifa, da Conmebol e da CBF”.

No fim de 2011, porém, a Klefer, empresa concorrente da Traffic, passou a rival para trás na disputa e obteve da CBF o contrato pelos direitos de todas as edições da Copa do Brasil entre 2015 e 2022. Não saiu de graça. Para conseguir o negócio, a empresa do ex-presidente do Flamengo Kleber Leite “concordou em pagar uma propina anual” a um alto dirigente da CBF, como Hawilla “tinha feito no passado”. Durante as negociações, Leite viajou aos Estados Unidos para discutir o assunto com o dirigente, que não é identificado nominalmente na denúncia. O presidente da CBF, na ocasião, era Ricardo Teixeira, que renunciaria em março de 2012.

Havia um problema, entretanto. Kleber Leite informou a Hawilla que havia acertado pagamentos de propina ao dirigente da CBF. Passado algum tempo, porém, avisou que o valor do suborno negociado originalmente tinha aumentado, diante de novas circunstâncias. “Outros dirigentes da CBF – inclusive o réu José Maria Marin [que se tornou presidente da CBF em 2012], e o co-réu 12 [não identificado nominalmente] também exigiram pagamento de propina”. Segundo a denúncia, Hawilla “concordou pagar metade do custo do suborno, que totalizava R$ 2 milhões por ano”, a ser distribuído entre Marin, o novo dirigente, e o anterior.

De acordo com a denúncia, José Maria Marin e Hawilla se reuniram em abril do ano passado em Miami, na Flórida, para conversar sobre os pagamentos que Hawilla lhe devia pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. O documento do Ministério Público americano afirma que, na conversa, Hawilla perguntou a Marin se “era realmente necessário continuar a pagar propinas ao antecessor de Marin [Ricardo Teixeira]”. O ex-presidente da CBF então afirmou: “Já está na hora de… de começar a vir para a gente. Verdade ou não?’ Hawilla respondeu: ‘Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha de ser dado a você’. Marin concordou. “É isso aí, está certo.”

Principal empresa de marketing esportivo no Brasil, a Traffic teve exclusividade de direitos comerciais para a Copa do Brasil entre 1990 e 2009. De acordo com a denúncia norte-americana, esse direito havia sido obtido mediante o pagamento de propina a um “alto dirigente da Fifa, da Conmebol e da CBF”.

Hawilla, acusado dos crimes de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, fez um acordo com a Justiça dos Estados Unidos e pagará US$ 151 milhões (o equivalente a R& 470 milhões), dinheiro que teria lucrado ao pagar propinas para fechar contratos.

ÉPOCA

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