Internação compulsória: avanço, retrocesso ou estagnação?

A sanção da lei que permite internação de dependentes químicos contra a própria vontade despertou discussão entre especialistas e população em geral. Alguns veem a medida como retrocesso. Há um receio de que a lei abra caminhos para internações sem necessidade, aquelas realizadas por ma fé de familiares. Não podemos também ignorar que moradores e comerciantes sofrem consequências graves em meio a cenários que temos hoje, em função do poder público vir falhando em políticas nessa área.

Então, a decisão do presidente traz fôlego a uma discussão que clamava por essa atenção, mas que deve ir muito além do debate sobre da internação compulsória ou não. A opinião dos especialistas deve ser considerada, assim como a daqueles que não veem outra saída senão apoiar a nova lei, como forma de apostar que esse seja um passo para uma solução.

Ocorre que sendo um passo de avanço ou de retrocesso, o que precisamos ter assegurado é um plano de longo prazo e mais investimentos nessa área, afinal estamos falando de Saúde Pública. Estamos falando de 28 milhões de pessoas no Brasil que têm algum familiar que é dependente químico e outros milhões que sofrem com as consequências do abandono, algo que afeta diretamente a Segurança Pública. Estamos falando de entidades que, com ou sem internação compulsória, fazem o trabalho do poder público, mendigando recursos. Se o debate não tomar esse rumo com ações efetivas, não teremos retrocesso, nem avanço, mas sim continuaremos patinando.

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