Instituto Butantan pesquisa remédio contra o vírus Zika

aedes_dengue_zikaO Instituto Butantan iniciou a pesquisa de um medicamento para tratar pessoas infectadas com o vírus Zika, que causa a microcefalia. A infecção pelo Zika pode provocar microcefalia em bebês quando a mãe, ainda gestante, entra em contato com o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também provoca a muito conhecida Dengue. Com a chegada das chuvas e do verão, especialistas do mundo todo, reunidos nesta semana no Rio de Janeiro, reafirmaram que novos surtos de dengue e zika, não estão descartados e alertaram para novas doenças que também podem ser transmitidas pelo mosquito. Um exemplo é o vírus West Nile, que hoje circula nos Estados Unidos, mas que, pode vir para o Brasil.

O epidemiologista Mauricio Barreto, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia, que estuda a zika e outras doenças relacionadas à pobreza, destacou que o problema começou a se desenhar há cinco anos, quando a dengue atingiu picos de infecção. “A dengue já era, em 2011, um claro insucesso, reflexo de nossa falta de capacidade de resolver problemas estruturais, de saneamento etc. Daí se desdobra, dois anos depois, na chikungunya e na zika e pode se desdobrar em outras, porque o Aedes aegypti pode transportar outros vírus”, disse o especialista no simpósio do Rio “The Zika menace in Americas: challenges and perspectives”. Barreto foi quem citou o vírus West Nile, nos Estados Unidos.

A pesquisa do Butantan vai adotar como métodos o reposicionamento de fármacos e a triagem de alto conteúdo. Essas tecnologias permitem que coleções de compostos químicos sejam triadas contra o vírus em células humanas infectadas. Segundo o instituto, esse processo é mais rápido porque dispensa a necessidade de validar previamente o alvo molecular, o que poderia levar vários anos.

O estudo é precursor de pesquisadores já envolvidos em analises que fizeram em trabalho semelhante no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, com 725 medicamentos aprovados nos Estados Unidos, e encontraram 29 substâncias com ação sobre o vírus. “Na pesquisa, a célula humana, infectada com o vírus Zika por 72 horas, é exposta à ação dos fármacos para tentar inibir a infecção”, revelam.

Processo

Esse procedimento é chamado de atividade antiviral, utilizando um vírus isolado. Os cientistas avaliaram a atividade dos fármacos na distribuição e metabolização do organismo. Entre os compostos descobertos nesse estudo, o mais promissor foi palonosetron, usado atualmente no tratamento de náusea induzida por quimioterapia de câncer. O composto apresentou alta eficácia contra a infecção pelo vírus Zika. (com assessoria)

 

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