Inflação na Capital cai pela quarta vez consecutiva

Índice de Preços ao Consumidor de agosto fechou em 0,26%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp

Em setembro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) fechou em 0,26%, um declínio de 0,04% em relação ao mês anterior, que apresentou inflação de 0,30%. O indicador também ficou abaixo do registrado em setembro de 2015, quando chegou a 0,57%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. Esta foi a quarta queda consecutiva em 2016 e resultou no menor índice do ano, até o momento.

Gasolina foi o grande vilão da inflação no mês de setembro em Campo Grande, segundo o Nepes
Gasolina foi o grande vilão da inflação no mês de setembro em Campo Grande, segundo o Nepes

De acordo com o coordenador do Núcleo, Celso Correia de Souza, os principais responsáveis pela inflação do mês passado foram “os grupos Transportes, com índice de 1,37% e contribuição de 0,20%, e Habitação, com aumento de 0,44% e colaboração de 0,14%. Já o grupo Alimentação contribuiu para segurar a inflação, pois registrou deflação de -0,31% e contribuição de -0,06% para o índice geral”.

Acumulado

A inflação acumulada nos últimos doze meses caiu de 9,33% (até agosto) para 8,99%, mas ainda está acima do teto de 6,5% e do centro de 4,5% das metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para pesquisador da Uniderp, esse resultado sinaliza que “mesmo com redução, a inflação acumulada de 2016 não deve atingir o teto da meta, como é esperado pelo governo, pois a queda está muito lenta”, explica Celso. Nos últimos 12 meses os maiores índices acumulados por grupo foram: grupo Alimentação (15,23%), Educação (12,77%), Transportes (9,83%) e Despesas Pessoais (9,16%). “Percebe-se, que a inflação tem impactado com mais força as classes de menor poder aquisitivo, que priorizam a alimentação nesse período de dificuldade”, complementa o professor.

No acumulado de 2016, a inflação já atinge 5,84%, ultrapassando o centro da meta do CMN. Registraram os maiores índices no período: Educação (11,13%), Alimentação (7,64%), Despesas Pessoais (7,54%) e Saúde (6,95%).

Maiores e menores contribuições

Os dez “vilões” da inflação,em setembro, foram:

Gasolina, com inflação de 6,72% e contribuição de 0,22%;
Patinho, com inflação de 14,80% e contribuição de 0,06%;
Contrafilé, inflação de 8,42% e participação de 0,05%;
Sabão em pó, com variação de 2,91% e colaboração de 0,05%;
Fósforos, com acréscimo de 11,63% e contribuição de 0,03%;
Café, com aumento de 4,77% e participação de 0,03%;
Acém, com variação de 3,90% e colaboração de 0,03%;
Aluguel apartamento, com acréscimo de 0,53% e contribuição de 0,03%;
Queijo cremoso, com reajuste de 19,66% e participação de 0,03%;
Costela, com elevação de 5,33% e colaboração de 0,03%.
Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação no período, com contribuições negativas, foram:

Leite pasteurizado, com deflação de -9,53% e contribuição de -0,12%,
Batata, com redução de -22,99% e colaboração de -0,09%;
Pescado fresco, com diminuição de -8,93% e participação de -0,06%;
Alcatra, com decréscimo de -2,87% e contribuição de -0,04%;
Arroz, com baixa de -2,03% e colaboração de -0,03%;
Detergente, com diminuição de -5,01% e participação de -0,02%;
Alface, com redução de -9,71% e contribuição de -0,02%;
Etanol, com decréscimo de -0,96% e colaboração de -0,02%;
Fio dental, com queda -11,40% e participação de -0,02%;
Repolho com baixa -21,64% e contribuição de -0,01%.

Segmentos

Em setembro, o grupo Habitação teve alta de 0,44% em relação ao mês anterior, motivada, principalmente, pelo aumento de produtos de uso doméstico, como fósforos (5,63%), sabão em barra (4,11%) e álcool para limpeza (3,61%). Quedas de preços ocorreram com lustra móveis (-7,54%), detergente (-5,01%), água sanitária (-5%), entre outros.

Diferente dos meses anteriores, ogrupo Alimentação registrou deflação: -0,31%, puxando o índice geral para baixo. As maiores altas de preços ocorreram com: limão (24,93%), farinha láctea (20,26%), queijo cremoso (19,66%), entre outros. Grandes quedas foram identificadas com: abobrinha (-36,27%), salsa (-33,35%), batata (-22,99%), entre outros. “Alimentos do cotidiano também registraram redução de preço, como o leite pasteurizado, que caiu -9,53%, bem como o arroz, que diminuiu -2,03%”, completou o professor.

“Com a melhora do clima, que favorece a produção de cereais, hortifrutícolas e leite, o grupo Alimentação pode contribuir para a queda da inflação em nossa cidade. A carne bovina está voltando a preocupar neste momento, pois, o fim do ano é ocasião em que normalmente ela aumenta de preço”, analisa o Celso.

Dos 15 cortes de carnes bovina pesquisados pelo Nepes da Uniderp, nove deles sofreram aumentos de preços. São eles: patinho (14,80%), filé mignon (11,32%), cupim (9,44%), picanha (8,97%), contrafilé (8,42%), peito (8,18%), coxão mole (5,89%), costela (5,33%) e acém (3,90%). Já os que tiveram redução de valor, são: fígado (-5,03), lagarto (-3,42%), alcatra (-2,87%), paleta (-2,46%), vísceras de boi (-0,52%) e músculo (-0,24%).

Em relação ao frango, a versão congelada teve queda de -2,01% e os miúdos de frango registraram alta de 1,83%. A carne suína apresentou aumento em todos os cortes apurados pelo departamento de pesquisa da universidade: costeleta (5,37%), pernil (0,69%) e bisteca (0,21%).

Em setembro, o índice do grupo Transportesfechou em 1,37%, devido a aumentos de preços da gasolina (6,72%) e de carros novos (0,34%). O etanol caiu -0,96%. O grupo Educação apresentou estabilidade e fechou com índice de 0%.

Já o grupo Despesas Pessoais apresentou uma pequena deflação, da ordem de -0,11%. Entre os produtos que tiveram elevação de preços estão: protetor solar (4,90%), absorvente higiênico (3,84%), creme dental (2,48%), entre outros. Redução de valor foi identificada com fio dental (-5,40%), papel higiênico (-3,11%), produto para limpeza de pele (-2,46%), entre outros.

Também com índices negativos, em setembro, estão os grupos Saúde, que fechou em -0,02%, e Vestuário, que registrou -0,17%. Em relação ao primeiro, apenas os itens vitamina e fortificante tiveram aumento (0,03%); já as quedas de valor mais significativas ocorreram com material para curativo (-1,15%) e anti-inflamatório e antirreumático (-0,11%). Sobre Vestuário, as maiores elevações de preços ocorreram com sandália/chinelo feminino (0,15%) e sandália/chinelo masculino (0,11%). Quedas foram identificadas com camiseta feminina (-0,23%), lingerie (-0,09%) e sapato masculino (-0,03%).

 

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