Inflação de junho recua em Campo Grande

Junho registrou a inflação mais baixa do ano. O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), divulgado mensalmente pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas (NEPES) da Universidade Anhanguera-Uniderp, fechou o mês em 0,38%, bem abaixo da inflação de maio, que foi de 0,61%. O índice superou em 0,37% junho de 2014, quando o indicador registrado foi de 0,01%.

07junho

Segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas da Anhanguera-Uniderp, Celso Correia de Souza, Alimentação foi o grupo de maior influência no índice. Com aumento de 1,06%, ele impactou a inflação de junho em 0,22%. “Apesar do aumento nos preços de produtos desse grupo, a inflação do mês passado recuou bastante em relação a maio, indicando que a pior fase já ficou para trás. Também vimos que há tendência de queda no índice desde janeiro. Portanto, a estimativa é que a inflação seja menor nos próximos meses”, analisa.

Outros grupos pesquisados que registraram alta foram: Despesas Pessoais (1%), Habitação (0,25%), Saúde (0,21%) e Transportes (0,07%). Eles impactaram em 0,09%, 0,08%, 0,02% e 0,01% a inflação do mês de junho, respectivamente.

Os grupos Vestuário e Educação, com deflações de -0,36% e -0,10%, respectivamente, impactaram negativamente a inflação em -0,03% e -0,01%. As contribuições são diretamente proporcionais aos índices com as respectivas ponderações.

Inflação acumulada – A inflação acumulada nos últimos doze meses, em Campo Grande, é de 9,07%, muito acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 6,5%. As maiores inflações no período, por grupo, foram: Transportes, com 13,03%, Habitação, com 10,82%, Despesas Pessoais, com 10,57% e Alimentação, com 10,45%. O grupo Vestuário apresentou deflação acumulada de -0,20%.

Considerando os seis meses de 2015 a inflação acumulada já ultrapassou o teto da meta, chegando a 6,69%. Destacam-se com as maiores inflações acumuladas os grupos: Habitação, com 10,11%, Educação, com 7,71% e Transportes, com 7,68%. O grupo Vestuário fechou com deflação acumulada de -1,15%.

Os dez mais e os dez menos do IPC/CG – Os responsáveis pelas maiores contribuições para a inflação do mês de junho foram: pescado fresco (0.08%), manicure e pedicure (0.05%), sapato feminino (0.03%), hipotensor e hipocolesterínico (0.03%), leite pasteurizado (0.02%), calça comprida feminina (0.02%), cebola (0.02%), frango congelado (0.02%), aluguel apartamento (0.02%) e arroz (0.02%)

Já os dez itens que mais ajudaram a segurar a inflação nesse período com contribuições negativas foram: tênis (-0.05%), laranja pêra (-0.02%), paleta (-0.01%), feijão (-0.01%), DVD (-0.01%), short (-0.01%) e bermuda masculina (-0.01%), blusa (-0.01%), camisa masculina (-0.01%), vestido (-0.01%) e papelaria (-0.01%).

Segmentos

O grupo Habitação apresentou elevação de 0,25% em relação ao mês anterior. Alguns produtos/serviços deste grupo que sofreram majorações de preços foram: forno microondas (6,08%), máquina de lavar roupa (5,83%), saponáceo (5,50%), entre outros. Quedas de preços neste grupo ocorreram com: liquidificador (-5,13%), DVD (-4,56%), pilha (-1,46%), entre outros.

O índice de preços do grupo Alimentação apresentou forte alta em relação ao mês anterior, da ordem de 1,06%. Os maiores aumentos de preços que ocorreram em produtos desse grupo foram: cebola, com 25,74%, chuchu, com 17,25%, pescado fresco, com 12,85%, entre outros. Fortes quedas de preços ocorreram com os seguintes produtos: manga (-11,08%), abobrinha (-11,02%), abacaxi (-9,48%), entre outros.

O pesquisador da Anhanguera-Uniderp explica os motivos do sobe desce de preços. “O grupo Alimentação sofre muita influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alguns de seus produtos, principalmente, verduras, frutas e legumes. Alguns produtos aumentam de preços ao término da safra, outros diminuem de preços quando entram na safra. Quando o clima é desfavorável há aumentos de preços, ocorrendo quedas quando o clima se torna favorável”, diz Correia.

Dos quinze cortes de carnes bovinas pesquisados pelo NEPES da Anhanguera-Uniderp, sete deles sofreram quedas de preços, sete sofreram aumentos e um corte permaneceu estável, o acém. As quedas foram identificadas com: paleta (-4,20%), fígado (-1,27%), ponta de peito (-1,22%), músculo (-1,12%), cupim (-1,07%), patinho (-0.19%) e contra-filé (-0.09%). Os maiores aumentos de preços ocorreram com: filé mignon (4,45%), lagarto (2,33%), coxão mole (2,18%), costela (1.05%), vísceras de boi (0.44%), alcatra (0.27%) e picanha (0.09%).

Na visão do professor Celso, os preços da carne bovina continuam indefinidos. “O valor da carne bovina pode não ceder como o esperado por conta do início da entressafra do produto e devido aos aumentos de exportações motivados pela valorização do dólar frente ao real e pela abertura de novos mercados, como agora, os Estados Unidos. Muitos consumidores certamente estão migrando para as carnes suína e de frango, que estão com melhores preços e registrando queda”, analisa o pesquisador.

O frango resfriado teve aumento de preço de 3,25% e miúdos, queda de -0,08%. Quanto à carne suína, houve aumento de 1,63% no pernil e quedas de preços na bisteca (-2,47%) e costeleta (-1,77%).

Com relação ao grupo Transportes houve alta de 0,07% devido a elevações de preços do automóvel novo (0,50%) e do pneu novo (0,02%).

O grupo Despesas Pessoais apresentou uma forte elevação em seu índice, da ordem de 1%. Alguns produtos/serviços desse grupo que tiveram aumentos de preços foram: manicure e pedicure (12,37%) revelação fotográfica (2,99%), creme dental (2,92%), entre outros com menores aumentos. Queda de preço ocorreu somente com papel higiênico (-0,04%).

O grupo Saúde também apresentou alta de 0,21%. Os produtos deste grupo com maiores aumentos foram: hipotensor e hipocolesterínico (5,10%), antiinfeccioso e antibiótico (1,45%) e antimicótico e parasiticida (1,18%). As maiores quedas de preços foram: material para curativo (-3,29%), antidiabético (-3,25%), analgésico e antitérmico (-1,38%), entre outros.

O grupo Vestuário fechou em queda de -0,36%. Aumentos de preços que ocorreram neste grupo foram com sapato feminino (6,07%), sandália/chinelo feminino (2,64%), calça comprida feminina (1,90%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com: tênis (-5,34%), bermuda e short feminino (-2,96%), sandália/chinelo masculino (-2,20%), entre outros com menores quedas de preços.

O grupo Educação também apresentou uma moderada deflação (-0,01%), devido a quedas de preços de produtos de papelaria (-0,10%).

IPC/CG – O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC / CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O Índice busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Universidade Anhanguera-Uniderp divulga mensalmente o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande.

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