Inflação acumulada nos últimos doze meses em Campo Grande é de 11,07%

Educação e Habitação foram os grupos que mais contribuíram para o resultado

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) fechou o primeiro mês do ano em 1,47%, segundo o Núcleo de Pesquisas Econômicas (NEPES) da Uniderp. O indicador é maior que o registrado em dezembro de 2015, com inflação de 0,84%, mas ainda assim menor que janeiro do ano passado, quando atingiu 1,78%.

Inflação da educação fechou  com índice de 9,91%
Inflação da educação fechou com índice de 9,91%

O coordenador do NEPES da Uniderp, Celso Correia de Souza, explica que o resultado de janeiro foi influenciado pelo grupo Educação, com os aumentos das mensalidades escolares que atingiram altos índices devido à inflação de 2015 ter sido muito elevada. “Houve também elevação da taxa de água e esgoto do grupo Habitação, que tem um peso relevante na composição da inflação. O grupo Alimentação continua influenciando muito a inflação da cidade devido aos fatores climáticos adversos que provoca o aumento de diversos produtos”.

Os grupos com maiores percentuais de contribuição para a inflação na capital foram: Educação, com índice de 9,91%; Alimentação com 1,34%; Habitação com 1,29%; Saúde com 0,96%, entre outros. O grupo Vestuário apresentou deflação neste mês de -0,18%.

Inflação acumulada

A inflação acumulada nos últimos doze meses em Campo Grande é de 11,07%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5% e do centro da meta, de 4,5%.

Apesar da inflação de janeiro ter sido alta, o pesquisador da Uniderp sinaliza que “a inflação de 2016 pode ser menor do que a inflação de 2015, quando chegou a 11,41%”.

Maiores e menores contribuições em janeiro

Os responsáveis pelas maiores contribuições para a inflação em janeiro foram: ensino superior, com aumento de 11,68% e contribuição de 0,40%; taxa de água/esgoto, com elevação de 10,30% e colaboração de 0,38%; ensino fundamental, com alta de 13,27% e contribuição de 0,20%; cigarros, com alta de 12,76% e colaboração de 0,09%; etanol, com aumento de 3,13% e contribuição de 0,06%; educação infantil, com elevação de 8,13% e participação de 0,05%; açúcar, com aumento de 8,76% e colaboração de 0,04%; batata, com alta de 11,67% e participação de 0,04%; cursos de idiomas, com elevação de 10,85% e contribuição de 0,04% e aluguel de apartamento, 0,61% e colaboração de 0,03%.

Já os dez itens que ajudaram a reter a inflação no período, com contribuições negativas, foram: gasolina, com variação -1,53% e contribuição de -0,05%; calça comprida feminina, com redução de -2,68% e contribuição de -0,03%; pescado fresco, com decréscimo de -3,09% e colaboração -0,02%; costela, com queda de -3,17 e participação de -0,02%; sabão em pó, com variação de -1,31% e colaboração -0,02%; vassoura, com redução de -9,89% e contribuição -0,01%; pilha, com queda de -5,08% e participação de -0,01%; laranja pêra, com variação de -5,35% e colaboração -0,01%; contrafilé, com redução de -1,79% e contribuição de – 0,01%; e automóvel novo, com queda de -0,48% e colaboração de -0,01%.

Segmentos

Em janeiro, o grupo Habitação apresentou elevação de 1,29% em relação ao mês anterior, motivada principalmente pela elevação da taxa de água e esgoto, de 10,30%. Outros produtos e serviços deste grupo que sofreram majorações de preços foram: carvão (5,20%), saponáceo (4,50%), sabão em barra (3,64%), entre outros. Quedas de preços neste grupo ocorreram com: vassoura (-9,89%), pilha (-5,08%), esponja de aço (-3,39%), entre outros com menores quedas.

O índice de preços do grupo Alimentação registou alta de 1,34%. Os maiores aumentos ocorreram com: cenoura (29,66%), melancia (21,60%), beterraba (19,19%), repolho (17,11%), entre outros. As principais reduções ocorreram com: limão (-25,07%), pimentão (-5,71%), laranja pera (-5,35%), entre outros.

O coordenador do NEPES da Uniderp explica que esse grupo sofre influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alimentos como verduras, frutas e legumes. “Alguns desses produtos aumentam de preços ao término das safras, outros diminuem de preços quando entram nas safras. Quando o clima é desfavorável há aumentos de preços, e quando é favorável ocorre o feito inverso”, diz Celso Correia de Souza.

Dos quinze cortes de carnes bovina pesquisados pelo NEPES da Uniderp, nove deles sofreram aumentos de preços. Foram eles: ponta de peito (3,36%), picanha (2,54%), fígado (2,31%), alcatra (1,98%), filé mignon (1,46%), acém (1,08%), músculo (0,66%), vísceras de boi (0,41%), coxão mole (0,13%). As quedas de preços ocorreram com: costela (-3,17%), contrafilé (-1,79%), patinho (-1,69%), cupim (-1,49%), lagarto (-1,46%) e paleta (-0,62%).

Segundo o pesquisador, o alto preço da carne bovina pode ser justificado pela alta demanda do produto, baixa oferta de boi gordo para o abate que, com o real desvalorizado frente ao dólar, tem favorecido a exportação do produto, diminuindo a oferta de carne bovina no mercado interno. Além disso, “os valores praticados no varejo de Campo Grande têm feito diminuído o consumo. Os aumentos registrados estão com taxas menores do que aquelas encontradas em pesquisas anteriores”, contextualiza.

Os miúdos de frango tiveram queda de -1,56% e o frango congeladoregistrou reduçãode -0,68%. O preço do pernil caiu -1,96% e a bisteca -0,68%. A costeleta suína permaneceu com preço estável.

Em relação ao grupo Transportes, houve um pequeno aumento de 0,02%. Os produtos desse grupo que mais aumentaram de preços foram: etanol (3,13%), pneu novo (0,25% e diesel (0,16%). As principais reduções de preços ocorreram com gasolina (-1,53%) e automóvel novo (-0,48%).

O grupo Educação apresentou forte aumento de 9,91%, devido ao reajuste das mensalidades escolares do ensino fundamental (13,27%), ensino superior (11,68%), curso de idiomas (10,85%), educação infantil (8,13%) e artigos de papelaria (0,42%).

Com menor intensidade, o grupo Despesas Pessoais também registrou alta de 0,17%. Alguns produtos deste grupo que tiveram elevação de preços foram: cigarros (12,76%), creme dental (2,68%), produto para limpeza de pele (0,92%), entre outros. Reduções ocorreram com absorvente higiênico (-3,11%), fio dental (-1,44%) e xampu (-1,40%).

Outra elevação foi constatada com o grupo Saúde, que fechou janeiro em 0,96%. Produtos como anti-infeccioso e antibiótico (0,92%), analgésico e antitérmico (0,84%), antigripal e antitussígeno (0,80%) foram os que registraram os maiores aumentos de preços.

O grupo Vestuário foi o único que registrou deflação (-0,18%). Aumentos de preços que ocorreram neste grupo foram: blusa (1,30%), vestido (0,84%), sandália/chinelo masculino (0,65%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com: calça comprida feminina (-2,68%), lingerie (-0,82%), calça comprida masculina (-0,12%) e camisa masculina (-0,03%).

IPC/CG

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC / CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O Índice busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande.

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