Índios prometem resistência à ordem de despejo de Polícia Federal

Despejo estava programado para esta quinta-feira (Foto: Dourados Agora)

O despejo de famílias indígenas que ocupam cinco chácaras vizinhas a aldeia Jaguapiru, há quase um ano, em Dourados, a 230 quilômetros de Campo Grande, deve ser feito a qualquer hora, de acordo com a Polícia Federal. Conforme o Dourados Agora, os Índios se reuniram com membros da PF, e receberam um prazo de cinco dias para deixarem os locais. Se resistirem, serão retirados à força.

No último dia 16 de dezembro, a Justiça concedeu reintegração de posse das propriedades ocupadas. O juiz Diogo Ricardo Goes Oliveira, da 2ª Vara Federal em Dourados, deu prazo de 30 dias para a Funai pedir aos índios deixarem o local.

As famílias que ocupam as áreas são de cidades da região, como Valdemar Vieira, de Caarapó. Ele ergueu uma casa simples com sobras de madeira aos fundos de uma das propriedades e vive no local com a mulher e quatro filhos. “Aqui é área de índio e reivindicamos o que é nosso. Daqui não saio”, afirmou.

Adelino de Souza, um dos líderes dos indígenas, promete resistência. “Pode vir a polícia, pode vir quem for, aqui é nosso e vamos ficar”, enfatizou. Segundo ele, são pelo menos 70 famílias que ocupam as cinco chácaras, pouco mais de 200 pessoas. “Não queremos o que é dos outros, queremos o que é do índio e todo esse problema está acontecendo por culpa do governo, que não resolve problema de falta de terra dos índios”, argumenta. “Nesse um ano que estamos aqui [chácaras] já temos plantações de feijão, milho, mandioca. Queremos apenas continuar a viver nesse espaço”.

Apenas uma das chácaras está vazia, nas outras quatro os proprietários permanecem no local. Bernardino Cavalheiro é de Juti. Ele veio para Dourados com mais 15 pessoas, todas da mesma família, entre filhos, genros e netos. “Já gastei mais de R$ 5 mil com mudança e construção das nossas casas. Se eu for despejado não tenho para onde ir”.

Como são indígenas de outros municípios, não são bem aceitos pelos índios em Dourados. Bernardino disse que ofereceram a ele um lote na aldeia Jaguapiru no valor de R$ 5 mil, mas não tem condições de adquirir. Embora as terras pertençam ao governo federal e não podem ser comercializadas, há venda de lotes para ter direito à permanência na reserva em Dourados.

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