Incêndio atinge Hospital Badim, no Rio, e deixa ao menos 10 mortos

Curto-circuito em gerador pode ter provocado chamas. Em frente ao prédio, colchões foram espalhados para dar assistência aos pacientes, que foram retirados às pressas

Um incêndio atingiu o Hospital Badim, na Rua São Francisco Xavier, no Maracanã, na zona norte do Rio, na noite desta quinta-feira, 12. O hospital informou que um curto-circuito no gerador do prédio 1 do hospital provocou o início das chamas, que espalhou fumaça para todos os andares do prédio antigo. Uma pessoa teve a morte confirmada pelos bombeiros durante a noite e outras nove pela Defesa Civil durante a madrugada desta sexta-feira, 13.

Pacientes são transferidos após incêndio no Hospital Badim Foto: WILTON JUNIOR / ESTADAO

A identificação das vítimas só poderá ser feita a partir das 8 horas desta sexta, no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio. A direção expressou “profundo pesar” e informou que 103 pacientes estavam internados no local no momento do incêndio. Imediatamente, declarou a direção, a brigada de incêndio iniciou a evacuação do prédio, mesmo antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

“Desde o primeiro momento a prioridade total foi socorrer os pacientes e funcionários e salvar vidas. Mais de 100 médicos foram mobilizados para dar assistência aos pacientes que estavam sendo socorridos”, acrescentou a direção. “Face a esse fato trágico, a solidariedade dos hospitais privados e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde está garantindo que os pacientes sejam transferidos.”

De acordo com a Defesa Civil do Rio de Janeiro, o incêndio começou pouco antes das 18 horas desta quinta. A missão de resgate às vítimas se prolongou por toda a noite e madrugada e ainda acontecia as 5 horas da sexta. Até 70 militares chegaram a participar simultaneamente do resgate às vítimas. Ainda de acordo com a Defesa Civil, cerca de 70 pacientes, funcionários e visitantes do hospital foram removidos do local pelo Corpo de Bombeiros.

Segundo funcionários relataram à polícia, o incêndio teria começado em um prédio antigo onde funcionava o setor de laboratórios. Pacientes que estavam internados em áreas próximas tiveram de ser retirados às pressas.

O hospital informou que os pacientes do Centro de Terapia Intensiva (CTI) C foram retirados e receberam os primeiros atendimentos na Rua Arthur Menezes. Os bombeiros trabalharam na retirada dos pacientes do CTI 2.

“Toda a direção do Hospital Badim está empenhada em prestar os devidos socorros necessários aos pacientes, que estão sendo transferidos para o Hospital Israelita Albert Sabin e para os hospitais particulares da região. Informamos ainda que a brigada de incêndio do hospital agiu prontamente durante todo o processo.”

“Meu irmão de 71 anos estava internado há mais de um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), vítima de pneumonia”, contou Maria Augusta Freitas. “Estava em casa e soube do incêndio pela TV, aí vim para cá”, narrou. “Mas já faz mais de uma hora que cheguei e ninguém soube me informar nada”, disse a mulher, que a cada paciente que passava de maca se exaltava na tentativa de se aproximar e identificar o irmão.

Ana Carolina, de 36 anos, chorava enquanto não conseguia informações sobre a mãe, de 71 anos.  “Não consigo saber se ela está viva, estou desesperada”, reclamou.

O clima de pânico diante da falta de informações era generalizado, enquanto guardas municipais tentavam manter o fluxo de ambulâncias que chegavam e saíam transportando pacientes.

A Rua Arthur Menezes foi interditada aos automóveis, mas permanecia lotada de pessoas, ao som de sirenes e gritaria. Garagens de casas e prédios vizinhos foram usados para receber os pacientes até que fossem levados de ambulância para os hospitais. Por volta das 20 horas, a rua ficou parcialmente sem luz.

Às 22 horas, o Corpo de Bombeiros informou que o fogo já estava extinto e trabalhava na realização de uma varredura e em atividades de rescaldo. A corporação disse que o local possui certificado de aprovação dos bombeiros, mas que “cabe aos responsáveis legais pelas edificações a manutenção dos dispositivos de segurança contra incêndio e pânico aprovados em projeto”.

Sobre as causas do incêndio, esclareceu que essa apuração não cabe à corporação e deverá ser conduzida pela Polícia Civil.

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