“Impressões digitais” de moscas podem ajudar a desvendar crimes

Imagine uma única mosca encontrada em um corpo em decomposição sendo um dos elementos chave para investigadores desvendarem um crime. Pode até parecer uma cena da série americana ‘Investigação Criminal’ (SCI – Crime Scene Investigation), mas as ‘moscas forenses’ são o tema de uma pesquisa da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

moscas forenses
Foto: Divulgação/UEMS

Desenvolvido pela pesquisadora do Laboratório de Ecologia Comportamental (LABECO) da UEMS, Michele Castro, o estudo busca decifrar a impressão digital dos insetos que ajudam a decompor os corpos, e a partir dessa informação identificar por exemplo o local de um assassinato e o tempo de morte do cadáver.

Para o professor e coordenador do LABECO, William Antonialli Junior, o maior desafio da pesquisa é saber de forma precisa e ágil a qual espécie pertence o inseto já que cada animal possui um tipo de tegumento, um composto químico percebido por meio de cheiros entre o grupo, e que a nível humano equivaleriam a impressão digital. “Quando um indivíduo passa a antena no outro é como se ele tivesse passando o leitor de código de barras que lhe transmite a informação se aquele indivíduo é de sua espécie”, explica Antonialli Junior.

Com os resultados a universidade pretende estabelecer parceria com a Polícia Civil criando uma forma de obter mais pistas para a solução de crimes.

Entomologia Forense

Em 2008, no Distrito Federal, o assassinato da estudante, Isabela Tainara, de 14 anos, teve parte de seu mistério desvendado por pesquisadores do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília (UnB). O corpo da adolescente foi encontrado 45 dias após seu sumiço em um matagal.

O estado avançado de decomposição não permitiu a perícia criminal identificar a causa da morte ou indícios de violência sexual. Com base na análise de insetos coletados no corpo da estudante foi possível confirmar que a adolescente morreu no mesmo dia de seu desaparecimento, 14 de maio.

Isso é possível porque em geral, as moscas são as primeiras a chegar ao local do crime. Elas depositam seus ovos no cadáver ainda úmido o que facilita a alimentação das larvas.

com informações da UEMS

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