Identificadas primeiras das 15 pessoas mortas no acidente com ônibus em Paraty

O Instituto Médico-Legal (IML) de Angra dos Reis identificou, na manhã desta segunda-feira, dois dos 15 mortos no acidente com um ônibus da Viação Colitur na Serra do Deus Me Livre, que liga a Rodovia Rio-Santos ao distrito de Trindade, na Costa Verde do Rio. Trata-se das paulistanas Juliana Rocha Medeiros dos Santos, de 26 anos; e Vanilda Santana de Moura, de 62 anos. Segundo autoridades que acompanham o trabalho de identificação das vítimas, foram mortos quatro homens jovens e 11 mulheres, sendo três idosas. Outras 66 pessoas ficaram feridas.

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Segundo legistas do IML, o reconhecimento dos mortos dependerá da ajuda de parentes, já que grande parte das vítimas não estava com documentos no momento do acidente.

O cartório de Paraty, que funcionaria nesta segunda-feira até meio-dia, devido ao feriado do Dia da Independência, ficará aberto permanentemente para a liberação de certidões de óbito. As equipes que tentam fazer o reconhecimento dos corpos estão encontrando dificuldades porque documentos das vítimas se misturaram por causa do tombamento do coletivo. O IML só libera o corpo após o confronto de documentos com as impressões digitais das vítimas. Depois disso, parentes devem ir até o cartório para pegar a certidão de óbito para fazer o sepultamento.

Uma perícia inicial feita no ônibus que tombou constatou que não havia defeito no freio do coletivo. Após o acidente, o motorista teria comentado com a namorada que tentou frear e não conseguiu. De acordo com o delegado adjunto da 166ª DP (Angra dos Reis), Márcio Teixeira de Melo, o coletivo trafegava a cerca de 30 quilômetros quando tombou ao tentar fazer uma curva. O coletivo será levado para a delegacia nesta segunda-feira para uma perícia mais detalhada.

O ônibus trafegava com 82 passageiros quando a capacidade é de 42 pessoas. Mas a polícia ainda trabalha com a hipótese de falha mecânica ou humana. Testemunhas disseram aos policiais que o ônibus teria aumentado a velocidade um pouco antes de fazer a curva.

O acidente, por volta das 11h30m deste domingo, foi marcado por cenas dramáticas de socorro aos feridos, e de corpos enfileirados na via. Os bombeiros ainda trabalhavam no local, quando um grupo de pessoas que assistia à operação de resgate começou a rezar o “Pai Nosso”. O veículo tombou próximo ao local conhecido como Morro do Deus me livre. Dos 66 feridos, 59 foram transferidas para hospitais de Angra dos Reis, Ubatuba, Caraguatatuba e São Gonçalo; e 24 já foram liberadas. Cinco pessoas ainda se encontram em estado grave. Entre os feridos, está o motorista do ônibus, Marcel Magalhães Silva, que está internado na Santa Casa de Ubatuba, em estado estável. O coletivo é da empresa Colitur, com sede em Barra Mansa, a única a operar no trajeto do Centro até Trindade.

O prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, cancelou o show deste domingo da Festa de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade. Em nota, a Colitur lamentou o acidente e disse que está prestando assistência às famílias das vítimas.

SEGUNDO PARENTE, VÍTIMA ADORAVA VIAJAR

Juliana cursava o 5º ano de Direito na Universidade Paulista (Unip). Ela viajou para Trindade na companhia de uma amiga, que se feriu levemente e já viajou de volta à capital paulista. As duas foram aproveitar o fim de semana prolongado na distrito praiano de Trindade. O pai da jovem, Waldervan Medeiros, de 55 anos, que trabalha com manutenção predial, e a madrasta, Regina, reconheceram o corpo no IML de Angra dos Reis. Segundo o namorado da irmã de Juliana, Rodrigo Nelson, ela era muito ativa e adorava viajar. Ele reclamou da Viação Colitur:

— Ela confiou na empresa de ônibus, que cometeu a imprudência de transportar 81 pessoas quando a capacidade máxima era de 42. É lamentável — disse Rodrigo Nelson.

O chefe do cartório de Paraty, Carlos Roberto Ferreira Lima, disse ter achado dentro do bolso do casado de um dos mortos o documento de uma mulher chamada Florência Santos de Faria. Ele está querendo saber se a mulher é uma das vítimas do acidente.

— A Polícia não percebeu que havia este documento. Agora, vou em busca da identificação — disse Carlos Roberto.

TRAGÉDIA DESENCADEOU ONDA DE SOLIDARIEDADE

Uma onda de solidariedade foi desencadeada assim que a notícia do acidente se espalhou. Muitos moradores foram até os hospitais que receberam feridos para doar sangue. A tragédia mobilizou dezenas de pessoas e comerciantes da região. Testemunhas contaram que alguns voluntários foram ao local do acidente de picape, para ajudar no resgate das vítimas. Também levaram itens como água e cobertores para os feridos.

A polícia acredita que a maior parte dos passageiros do ônibus eram turistas que usam a linha para ir de Paraty a Trindade, bairro turístico a 24 quilômetros do Centro da cidade, onde há praias e cachoeiras muito procuradas. O tempo da viagem de ônibus é de cerca de 30 minutos.

A prefeitura de Paraty informou que a empresa Colitur, com sede em Barra Mansa, é a única a operar no trajeto. Segundo o município, os ônibus passam regularmente por fiscalização e, em breve, será realizada uma nova licitação para o serviço. A prefeitura, no entanto, não soube informar até quando vai a concessão da Colitur para operar o serviço público, nem quantas pessoas podem ser transportadas no ônibus. E ressaltou que, pelo fato de ser uma linha circular, é permitido o transporte de passageiros em pé.

Em entrevista à GloboNews, o prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, disse que não acredita que o acidente tenha sido provocado por falta de conservação da estrada. Segundo ele, a estreita via, que era de terra, foi asfaltada há 12 anos.

O GLOBO

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