Horta orgânica em presídio de Naviraí alimenta crianças e idosos carentes

“Verde Esperança” é o nome do projeto da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), desenvolvido no Estabelecimento Penal de Regimes Semiaberto, Aberto e de Assistência aos Albergados de Naviraí (EPRSAAA-Nav), que une ressocialização e contribuição social às entidades filantrópicas da cidade. Uma horta orgânica cultivada na unidade prisional, há cerca de três meses, tem ajudado a incrementar as refeições servidas no presídio e representam uma ocupação produtiva aos detentos, além de melhorar a alimentação de crianças e idosos.

O projeto foi criado, sem muitas pretensões, por iniciativa dos próprios agentes penitenciários, que fizeram as doações das primeiras sementes, mudas e regadores. Em uma área de 92m², que pretendem ampliar em breve, foram plantados produtos orgânicos (sem agrotóxicos), tais como: alface (lisa e crespa), almeirão, rúcula, couve manteiga, coentro, salsa, cebolinha e hortelã.

03-768x461Um reeducando ficou responsável pelos cuidados com a horta, como plantação, irrigação e colheita das hortaliças. “Tive que aprender a mexer com a terra, formar canteiros, ter cuidado durante o crescimento das folhas”, destaca o interno João Paulo Pereira Arruda, 34 anos. “Estou pensando que quando cumprir o tempo aqui no semiaberto vou fazer o cultivo de verduras e legumes lá fora, já que é uma garantia de trabalho”, complementa.

“O projeto foi crescendo e as hortaliças se multiplicaram tanto que surgiu a ideia de adotar duas instituições para que fossem feitas doações”, relata o diretor do presídio, Paulo Sérgio Vieira. “Então, escolhemos o Lar da Criança Amor e Fraternidade e a Casa Lar Santo Antônio, pelo trabalho que desenvolvem”, conta.

Segundo o dirigente, a iniciativa é muito satisfatória, pois é uma forma de o sistema prisional colaborar, de uma maneira muito marcante, diretamente com a sociedade. “É o trabalho do custodiado e o empenho da equipe de servidores penitenciários beneficiando pessoas que precisam, contribuindo para a melhor alimentação, saúde e qualidade de vida, tanto de internos, como de crianças e idosos carentes”, ressalta. “O fato de conhecermos de perto a realidade daquelas crianças, bem como dos idosos em abrigamento, nos comoveu muito, daí a ideia de dar o nome ao projeto de Verde Esperança”, explica.10-768x380

A coordenadora da Casa Lar Santo Antônio, assistente social Andryélly Jardim Soncini Yamanshi, assegura que as doações têm contribuído para o atendimento dos 21 idosos que vivem no local. “São várias as formas de ajudá-los, do menor ao maior gesto, seja dando alguns minutos de sua atenção, seja com doações, como no caso do presídio. Tudo é muito importante. Tornar este final de vida deles o mais agradável e saudável possível é o que importa”, comenta.

Para o presidente da instituição, Hélio Geromini Sobrinho, a iniciativa desenvolvida pela equipe da unidade prisional é um “atitude de amor” e representa um estímulo para a continuidade da ação beneficente. “Esta atenção e carinho com que fomos atendidos nos fortalece para continuar a realizar o trabalho social”, garante.

A administração do Lar da Criança “Amor e Fraternidade” também considera que as doações são de grande valia para a alimentação dos pequenos. “Principalmente por serem alimentos orgânicos. Nos sentimos privilegiados por sermos escolhidos para esta parceria e queremos que continue nos ajudando, não só doando, mas vindo pessoalmente, passando para as crianças como é feito o projeto”, enfatiza a coordenadora do local Zuleide Aparecida dos Santos.

A coordenadora enfatiza, ainda, que – com o apoio da presidente da instituição, Bruna Alexandra Foleto Capucci, e demais funcionários – todos ali têm se doado para manter, em abrigamento, 15 crianças atualmente, entre 0 a 12 anos. “Estamos, como essas crianças, nos sentindo valorizadas. E que projeto maravilhoso! Nosso muito obrigado a todos do presídio semiaberto!”, finaliza.

14-768x461O diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, esteve recentemente visitando a unidade prisional e pôde conhecer de perto a iniciativa. “A integração de nossos presídios com as comunidades locais, principalmente como nesse caso, de fornecimento de alimentação, além de muito importante, é uma forma de utilizar a mão de obra prisional para algo útil e construtivo”, enfatiza, ressaltando que vê na disposição de diretores e agentes penitenciários de todas as unidades da Agepen uma das grandes qualidades dos servidores.

Assessoria de Comunicação Agepen

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