Homem em caminhonete é executado com 24 tiros na região de fronteira

Bruno Pereira de Souza de 34 anos, conhecido com “Fortaleza”, foi executado na tarde deste domingo (24) em Ponta Porã (MS) na fronteira com o Paraguai. De acordo com a Polícia Civil, com base em informações de policiais militares que atenderam a ocorrência, o homem foi atingido por 24 tiros de pistola 9 milímetros.

Homem que dirigia uma caminhonete Toyota Hilux foi executado a tiros – Foto Porã News

Segundo a polícia, Bruno estacionava a caminhonete em frente à casa de uma amiga quando foi alvejado. Uma testemunha que estava dentro de casa disse à polícia que quando saiu para socorrer a vítima, viu um carro de cor branca com 3 homens armados com pistolas, que fugiram em seguida. Bruno morreu no local.

De acordo com o delegado da 1° Delegacia de Ponta Porã, Alcides Braun, a polícia acredita tratar-se de mais uma execução na guerra pelo tráfico na região: “O crime certamente tem ligação com o tráfico de drogas, investigações serão nessa linha”, afirma.

Guerra pelo tráfico na Fronteira

A fronteira do Brasil com o Paraguai, em Ponta Porã, região sul de Mato Grosso do Sul, sempre foi marcada por execuções, tiroteios, tráfico de drogas e armas. O local é uma das principais portas de entrada de entorpecentes e armas de grosso calibre no país. O G1 traçou um panorama da disputa pelo tráfico na região.

A característica violenta da faixa de fronteira que compreende Ponta Porã ganhou ares de guerra nos últimos anos com a disputa pelo controle do local entre facções criminosas, segundo a polícia. Em 2018 foram mais de 30 execuções em Mato Grosso do Sul ligadas à guerra pelo controle do tráfico.

A disputa começou de forma mais acirrada em 2016, com a execução do narcotraficante Jorge Rafaat, morto com tiros de metralhadora em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha a Ponta Porã. Um dos suspeitos pela morte de Rafaat, segundo a polícia, é o traficante Jarvis Pavão, que está preso no Rio Grande do Norte após ser extraditado do Paraguai. O irmão de Jarvis, Rony Pavão, foi executado em 2017. Em 2018, sua advogada, Laura Casuso, foi assassinada em Pedro Juan. Em 17 de janeiro deste ano, o tio de Jarvis foi morto na fronteira. A polícia recolheu mais de 190 projéteis de fuzil.

Os assassinatos são atribuídos a outro traficante, Sérgio Quintiliano, o “Minotauro”, preso em 4 de fevereiro deste ano. No dia 10 do mesmo mês, três homens foram executados em Zanja Pytã, distrito vizinho a Sanga Puitã, próximo a Ponta Porã. Segundo a polícia, Cesar Zorilla, uma das vítimas, faria parte de um grupo comandando por Jarvis Pavão.

De acordo com Cléo Mazzotti, superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, a PF conduz investigações com foco em identificar os líderes de organizações criminosas para combater a guerra pelo tráfico na região.

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