Hoje ‘sem dinheiro’, ex-aliado de Olarte delata esquema para cassar Bernal

Ronan era também um dos braço direito de Olarte na igreja ADNA (Assembleia de Deus Nova Aliaça)
Ronan era também um dos braço direito de Olarte na igreja ADNA (Assembleia de Deus Nova Aliança)

A interrupção do mandato do prefeito Alcides Bernal, ocorrida em cassação feita pela Câmara de Vereadores de Campo Grande, em março de 2014, apontou novo capitulo nesta semana. Uma possível revelação feita por ‘gente do meio’, de como ocorreu todo o processo, que foi denominado como golpe criminoso pelo chefe do executivo, agora deve se confirmar, por quem participou do mesma. O tal ‘golpe crime’ ou a engenharia da cassação, agora está em uma carta entregue ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) por Ronan Edson Feitosa de Lima, que foi assessor do vice-prefeito afastado, Gilmar Olarte (PROS). Ele relata parte das supostas negociações para cassar o prefeito da Capital, que até já havia sido acusada e é apontada em relatório final das investigações realizadas pelo Gaeco no caso, que apareceu ‘por acaso’ em processo investigatório da Lama Asfáltica, que apura desvios de recursos públicos na administração de Andre Puccinelli, no governo do Estado.

De acordo com o Gaeco, a carta foi entregue em 2015, no final do mês de outubro, já quase ao fim das investigações da Operação Coffee Break, descrevendo, segundo Ronan, como Olarte atuou para cassar o então ‘companheiro’ Bernal. Somente agora o documento foi revelado e incorporado ao processo, pois foi necessário comprovar sua autenticidade em escrita e assinatura de Ronan, que se disse “traído e esquecido por aqueles que se diziam meus protetores”. Agora, a carta é mais uma das provas que a partir de março deste ano passou a integrar a investigação da Coffee Break. No documento, Ronan se disse “traído e esquecido por aqueles que se diziam meus protetores” e relata parte das supostas negociações para cassar o prefeito da Capital, Alcides Bernal (PP).

“A carta foi entregue em outubro passado e, em março, foi solicitada perícia para atestar se a assinatura é mesmo de Ronan Feitosa. No dia 18 de março último, as peritas do IC (Instituto de Criminalística) Maria das Graças Mujol e Glória Setsuko Suzuki assinam o laudo atestando que a rubrica e a assinatura são de Ronan. E, no fim do mês, o Gaeco pediu que o atestado passe a integrar o procedimento”, explicou assessoria do Grupo.

Ronan relata que foi abandonado por seu então grupo, apesar de ter recebido a metade das ‘indenizações’ negociadas para mante-lo longe do processo, que apareceu como principal agente no contexto de outra investigação, pela Operação ADNA (igreja fundada por Olarte), feita também pelo Gaeco no início do ano passado, que levou ou se co-relacionava ao processo de cassação. Ele afirma que era mantido sempre fora da cidade. “(…) Me foi prometida uma casa, tendo sido adquirida pelo valor de R$ 90 mil, porém até esta data repassaram apenas R$ 35 mil. Pagamento de R$ 5 mil por mês, para minhas despesas pessoais e ajuda de custo para viagens no valor de R$ 2 mil por semana. No entanto, desde junho passado isso não está sendo cumprido”, diz trecho da carta, que tem a data de 6 de outubro de 2015.

Mudanças constantes e traição levou a “delação premiada”

Pela carta bomba, Ronan descreveu que desde a Operação Adna ele foi mandado para São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Dourados e outros lugares que não nominou. O ex-assessor de Olarte, afirma que, a vida nômade e acima de tudo, por conta da traição e das dificuldades que a família dele vem atravessando, decidiu procurar o Gaeco e que estará à disposição para dar informações detalhadas para a Polícia Federal e o Gaeco.

Ronan teve participação direta na arrecadação de dinheiro usando cheques de terceiros, supostamente para pagar despesas de campanha de Olarte para vice-prefeito de Bernal. Ele afirma que nunca usufruiu do dinheiro pego emprestado junto a agiotas e que tudo era para o esquema de Olarte. A Operação Adna foi deflagrada para investigar a captação de dinheiro para pagamento de despesas de campanha de Olarte, usando cheques de terceiros. Em troca, teria ocorrido negociação de cargos na Prefeitura, caso ele assumisse no lugar de Alcides Bernal.

Na carta, o agora delator extra-oficial, afirma que além de Gilmar Olarte, teriam atuado na cassação: Rodrigo Pimentel (advogado e ex-secretario da PMCG), André Scaff (Procurador Juridico da Câmara e após ex-secretario da PMCG), Elizeu Dionizio (então vereador e hoje deputado federal interino do PSDB) e Fernando Pineis (Procurador Juridico da Câmara). Pimentel teria pedido a Olarte e foi contemplado com a Secretaria de Govenro na Prefeitura e “cargos no jurídico”. Scaff também teria uma secretaria caso o plano desse certo e foi titular da Seplanfic. Feitosa afirma ainda, que foi coagido e induzido a dar entrevista a uma emissora de televisão para inocentar Gilmar Olarte e assumir a culpa pelos empréstimos.

Alcides Bernal acabou sendo cassado pela Câmara de Vereadores no dia 12 de março de 2014, por 23 votos favoráveis e 6 contra. Elizeu Dionizio (PSDB) era o relator da CPI do Calote, criada para investigar o não pagamento a fornecedores da Prefeitura, que se encerrou acusando Bernal do ato e foi o primeiro passa para abertura de processo de cassação.

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