A história da foto de mulher parada em frente a tropa de elite que virou símbolo de tensão racial nos EUA

Durante o fim de semana, os Estados Unidos voltaram a ser palco de protestos da comunidade negra contra a polícia. No domingo, dezenas de manifestantes foram presos em Baton Rouge, capital do Estado da Louisiana, onde na terça-feira um homem negro fora a morto a tiros por policiais.

A imagem de Evans, impassível diante da tropa de choque, correu o mundo (Foto: REUTERS/Jonathan Bachman)
A imagem de Evans, impassível diante da tropa de choque, correu o mundo (Foto: REUTERS/Jonathan Bachman)

Mas nessa atmosfera de tensão, marcada também por um intenso debate sobre a militarização das forças policiais do país, uma foto se tornou um símbolo da situação: de autoria de Jonathan Bachman, um fotógrafo de Nova Orleans a serviço da agência de notícias Reuters, a imagem mostra uma jovem negra de vestido, de pé e aparentando calma diante do que parece ser a chegada esbaforida de dois policiais armados e trajando equipamento completo de choque.

A foto viralizou nas redes sociais e entre as pessoas proeminentes que a compartilharam está Shaun King, conhecido jornalista da área de justiça que trabalha para o jornal New York Daily News e tem mais de 560 mil seguidores no Facebook.

Seu post com a foto tinha quase 10 mil curtidas até o final da noite de domingo, além de mais de 5 mil compartilhamentos.

Um dos seguidores classificou a imagem como “lendária” e disse que ela “ficará em livros de história e arte”.

A foto foi tirada nas proximidades da sede da polícia de Baton Rouge, onde manifestantes tinham se reunido no sábado, em proteso contra a morte de Alton Sterling. Um vídeo mostrou dois policiais brancos atirando no homem enquanto ele estava imobilizado.

Segundo a Reuters, a mulher da foto foi detida pela polícia, mas a agência não soube identificá-la. De acordo com veículos de mídia nos EUA, trata-se de Ieshia Evans, enfermeira de 35 anos e mãe de um filho. Segundo o New York Daily News, Evans passou a noite de sábado na prisão – segundo as autoridades, mais de 100 pessoas foram presas.

Em sua página no Facebook, Evans agradeceu à preocupação de amigos e do grande público, mas até agora ainda não deu entrevistas.

No entanto, sua atitude já foi comparada à do anônimo chinês que, em 1989, obstruiu o caminho de uma coluna de tanques a caminho da Praça da Paz Celestial, em Pequim, para reprimir protestos pró-democracia.

Bachman, em declarações à revista The Atlantic, disse ter a impressão de que Evans quis mostrar não temer a polícia. “Tudo aconteceu muito rápido, mas me pareceu que ela não ia se mover”, contou o fotógrafo.

O jornal britânico Daily Mail entrevistou uma amiga de Evans, Natash Haynes, que deu mais detalhes sobre por que ela estava em Baton Rouge. Segundo a amiga, Evans, que mora em Nova York, viajou para a capital do Lousiana depois de ficar impressionada com a morte do homem negro pela polícia na terça-feira, e por “querer um futuro melhor” para o filho de cinco anos.(BBC)

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