Hacker preso em cobertura de luxo desviou R$ 40 milhões em fraudes

O Globo/JP

Apartamento onde foi preso hacker Bart, em Curitiba, tinha hidromassagem na sala com vista para o centro de Curitiba (Foto: Divulgação)

Preso em um cobertura de luxo na região central de Curitiba com R$ 630 mil ensacados em pacotes escondidos dentro de uma mala de viagem , Lucas Iagla Turqueto, o Bart, é considerado pela Polícia Civil do Rio “um dos maiores hackers do Brasil” e um dos líderes de uma quadrilha que movimentou, entre 2016 e 2018, R$ 150 milhões, em desvios de contas bancárias de vítimas de pelo menos sete estados.

Apenas o núcleo liderado por Bart desviou ao menos R$ 40 milhões, de acordo com as investigações que correm em segredo de Justiça. O dinheiro era depositado em contas de laranjas ou usado para adquirir patrimônios, como casas e carros de luxo.

Comandada pelo delegado Ronaldo Aparecido, a equipe da 90ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa, no sul fluminense, se deslocou do Rio até Curitiba para prender Bart, na 5ª fase da operação “Open Doors”. Os investigadores chegaram até o hacker após ele ter feito a compra de um cachorro.

O hacker Lucas Iagla Turqueto, o Bart, preso na 5ª fase da operação
O hacker Lucas Iagla Turqueto, o Bart, preso na 5ª fase da operação “Open Doors” (Foto: Divulgação)

O apartamento onde Bart (apelido em referência ao personagem da série Os Simpons) foi preso era usado como “quartel-general” da organização criminosa. Nele, havia um escritório com uma bancada ocupada por laptops e computadores, drives e telefones, além de cadeiras executivas. Na sala da cobertura, Bart tinha à disposição uma  banheira de hidromassagem com vista privilegiada.

A “Open Doors” começou em 2017 com o objetivo de combater uma quadrilha de criminosos que fraudavam operações bancárias por meio de sites falsos. A 5ª fase da operação se valeu das denúncias das fases 1 e 2.

Na primeira fase foi desarticulado o grupo intermediário do esquema, com 16 pessoas denunciadas  pelos crimes de organização criminosa, furto, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Nela, foi possível verificar que o grupo usou veículos no valor de R$ 900 mil em nome de terceiros para ocultar bens.

Na fase 2, em decorrência da apreensão de computadores de dois dos 237 denunciados – entre eles seis hackers -, foi possível descobrir um grande número de transações para desvio de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Além do hacker Bart, outras 15 pessoas foram presas: 12 no estado do Rio, duas em Minas Gerais e uma em Goiás. Em Campo Mourão (PR) foram apreendidos três veículos e cerca de R$ 38 mil, além de cartões bancários e equipamentos.

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