Governo tira do ar site com levantamentos sobre uso de drogas no Brasil

Portal G1

O site contendo dados oficiais sobre o uso de drogas no Brasil foi retirado em janeiro deste ano — Foto: Gras Grün/Unsplash
O site contendo dados oficiais sobre o uso de drogas no Brasil foi retirado em janeiro deste ano — Foto: Gras Grün/Unsplash

Uma busca na internet com o nome do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) indica como primeiro resultado o endereço obid.senad.gov.br, mas a página não pode ser encontrada. A última vez em que a página foi visitada pelo Google foi em 23 de março. O Ministério da Cidadania diz que o site foi tirado do ar porque está sendo “migrado e atualizado”.

Já uma pesquisa no site “Wayback Machine”, que arquiva informações de páginas publicadas na internet e permite buscas retroativas, mostra que a última data de visualização do site do Obid é o dia 8 de janeiro. É possível visualizar a home do site do Observatório às 10:18 daquele dia.

A mudança ocorreu quando os temas ligados ao uso de drogas no país passaram do Ministério da Justiça para o Ministério da Cidadania, há cerca de seis meses.

No acesso por meio do “Wayback Machine”, a página ainda indicava que o Observatório estava sob o organograma do Ministério da Justiça.

O Obid é o único banco de dados oficiais com os levantamentos nacionais sobre o uso de drogas. É importante fonte de referência para pesquisadores e profissionais da área de saúde que trabalham com dependentes químicos. É, ainda, o único site com coletâneas de dados em nível nacional.

O Ministério da Cidadania enviou nota ao G1 dizendo: “Como o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) está sob responsabilidade do Ministério da Cidadania, de acordo com o Decreto Nº 9.674, de 2 de janeiro de 2019, o portal está sendo migrado e atualizado.”

Polêmica com a Fiocruz

Recentemente, o governo federal censurou uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o uso de drogas no Brasil. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, discorda do resultado da pesquisa, que ouviu mais de 16 mil pessoas entre 2014 e 2017.

No início de maio, numa entrevista à Globonews, ele colocou em xeque a credibilidade da Fiocruz, dizendo que a instituição pleiteia a liberação das drogas. A Fiocruz afirma que cumpriu todas as exigências do edital e só publicará a pesquisa quando isso for reconhecido pelo governo.

O estudo custaria R$ 7 milhões aos cofres públicos, mas a Fiocruz devolveu R$ 1 milhão ao concluir a pesquisa.

Atualmente, o impasse está sendo mediado pela Câmara de Conciliação da Advocacia-Geral da União (AGU), responsável por mediar conflitos entre órgãos públicos federais. Dada a grande visibilidade da polêmica, o órgão pretende agilizar a mediação do conflito.

Governo censura pesquisa da Fiocruz sobre uso de drogas no Brasil

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