Governo quer usar dinheiro da dívida para acabar com conflito indígena

O governador Reinaldo Azambuja, com aval da Assembleia Legislativa, pretende propor à presidente Dilma Roussef, que parcelas do pagamento da dívida do Estado com a União (em torno de R$ 90 milhões por mês) possam ser usadas na compra das fazendas reivindicadas por terra indígena. Na próxima semana, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul encaminhará documento à presidente Dilma Rousseff (PT) propondo uma nova solução dos conflitos envolvendo produtores rurais e índios no Estado.

Reinaldo quer usar dinheiro da dívida para acabar com conflito indígena
Reinaldo quer usar dinheiro da dívida para acabar com conflito indígena

Recentemente, os conflitos deixaram um indígena morto no município de Antônio João, onde o clima ainda é tenso depois que a Justiça suspendeu a desocupação em propriedades rurais locais.

Na sessão desta quinta-feira (22), a coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, usou a tribuna para defender a campanha de boicote ao agronegócio de Mato Grosso do Sul.

“O boicote é o único instrumento que temos para tentar cessar os ataques aos povos indígenas. A campanha iniciou na Europa e está chegando aos Estados Unidos”, disse Sônia.

Já o 1º secretário Zé Teixeira (DEM), que faz parte da bancada ruralista, repudiou a campanha de boicote e mais uma vez imputou ao Governo Federal a culpa do conflito no Estado. “Se a Europa e os Estados Unidos não comprarem mais os produtos brasileiros nosso País vai quebrar, pois o agronegócio é o setor que eleva o Produto Interno Bruto. A cana-de-açúcar, a soja, a carne, o biodiesel não são produzidos a custa de sangue de índio, mas da mão calejada e do suor do produtor rural. Esse conflito só não foi resolvido ainda por conta da má vontade política”, desabafou o deputado.

Pedro Kemp (PT) lamentou a situação de caos vivida em Mato Grosso do Sul e pressionou a União. “Os produtores querem vender as terras. Precisamos pressionar o Governo Federal para comprá-las e demarcá-las. Representa apenas 3% do território do Estado, o que não irá interferir na economia”.

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