Governo lança ‘tarde’ reajuste a professores, que não retornam de férias e podem entrar em greve geral

Lúcio Borges

Categoria na ACP na manhã desta terça-feira em assembleia

A falta de reajuste salarial ou o pequeno índices ‘oferecido’ pelo governo do Estado colocou os professores da rede estadual de ensino em ‘estado de greve’. A categoria faz dois dias de paralisação, hoje, quando deveriam retornar das férias, e, nesta quarta-feira (26) quando haverá assembleia geral para decidir continuidade do movimento ou recomeço das aulas para os cerca de 100 mil alunos pelo Estado. Amanhã, os servidores de todos os municípios, se reunirão na Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de MS), para analisar uma contra-proposta, enviada somente ontem (24) pela administração estadual, para aceitá-la ou ratificar a greve, que já havia sido deliberada no dia 30 de junho. Inicialmente, a administração estadual sinalizou aumento de 2,94%, mas o índice definido pela Lei do Piso Nacional dos Professores é de 7,64%, que ontem foi acenado pelo governo ser realizado.

Contudo, hoje, os Simteds (Sindicatos Municipais dos Trabalhadores em Educação) irão realizar Assembleias Municipais para deliberar se acatam ou não a proposta de reajuste salarial apresentada pelo governo. Assim, pelo menos 100 mil alunos ficarão sem aulas nesta terça e quarta-feira, enquanto os professores e governo do Estado negociam a proposta de reajuste das categorias de profissionais da educação pública em MS. Em todo o Estado foram 366 escolas sem aulas.  Caso os professores decidam retomar as atividades, as aulas terão início na quinta-feira (26).

Em Campo Grande, 84 escolas fecharam as portas, neste que seria o dia de retomar as atividades, após as férias dos alunos. A categoria na Capital já realizou sua reunião na ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), e decidiu levar a assembleia estadual, a posição de não realizar greve. Mas, caso seja aprovada a paralisação, o sindicato campo-grandense, segundo seu presidente Lucílio Nobre, acatará decisão e participará do Movimento. “Caso a assembleia que será realizada na Fetems amanhã, delibere pela greve, nosso municipal também integrará o movimento paredista, apesar de levarmos a decisão da maioria aqui por não parar de imediato”, disse.

Após a decisão de cada município, acontece amanhã na Fetems, às 14 horas, uma Assembleia Geral com representantes dos 74 SIMTEDs, vice-presidentes das 14 regionais e delegados de base da CNTE (Confederação Nacional  dos Trabalhadores em Educação), para decidir se a categoria aceita a proposta da administração ou decreta greve oficial. Os(as) trabalhadores(as) em educação cobram o cumprimento da Lei Federal 11.738/2008 de 16 de julho de 2008 que estabelece o reajuste do Piso Salarial dos Professores  e da  lei complementar estadual nº 200, de 13 de julho de 2015. Essa última legislação integraliza o Piso por 20 horas até o ano de 2021.

Governo ontem, acenou garantir o Piso Nacional

A greve já havia sido anunciada em 30 de junho, quando o governo ofereceu a todos os servidores públicos, apenas 2,94%. No entanto, na semana passada, na quinta-feira (dia 20), comissão de negociação da Fetems se reuniu com o governo, que solicitou, prazo até ontem (24) para apresentar proposta relativa ao cumprimento da Lei 11.738/2008.

“A decisão sobre a proposta do governo é da categoria. A Assembleia Geral é a maior instância deliberativa de nossa Federação, portanto é fundamental a participação de todos(as) para definir os próximos passos dos trabalhadoras e trabalhadoras em educação da Rede Estadual de Ensino”, pontuou o presidente da Fetems, professor Jaime Teixeira.

O governo na proposta enviada ontem, lança e prevê garantir alguns pontos da proposta apresentada pela categoria:

– O governo garante o pagamento do reajuste do Piso de 7,64% em 2017;
– Mantém a convocação da mesma forma que no primeiro semestre;
– Não haverá alteração no Estatuto dos profissionais em Educação.

E ainda, foi estabelecido ainda com o Governo do Estado a criação de uma Comissão para debater aspectos ligados aos funcionários administrativos em educação.

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