Governo e PTB adiam indicação do novo ministro do Trabalho

Reuters/JP

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, e sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), que havia sido indicada pelo partido ao Ministério do Trabalho (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

Sem acordo entre a bancada do PTB na Câmara e o presidente do partido, Roberto Jefferson, o presidente Michel Temer (MDB) pediu que seja adiada para o final de março a indicação de um novo nome para o Ministério do Trabalho. Na ocasião, o governo trocará todos os ministros que decidirem ser candidatos nas eleições de outubro. A decisão de adiar a indicação foi tomada esta manhã em reunião entre o líder da bancada, Jovair Arantes (GO), Jefferson e Temer.

Até lá, o atual secretário-executivo, Helton Yomura, permanecerá à frente da pasta como ministro interino. Nesta terça-feira 20, o PTB anunciou que estava retirando a indicação da deputada Cristiane Brasil (RJ), filha de Jefferson, ao cargo. Na manhã desta quarta-feira 21, essa decisão foi informada oficialmente ao governo.

“Diante da situação, o presidente Temer pediu então a gentileza de que se esperasse até o final de março, início de abril, quando todos os ministros precisassem se desincompatibilizar, e as trocas fossem feitas todas juntas. Eles concordaram”, diz um auxilar do presidente.

Depois de ver a filha ser impedida de assumir o ministério, Roberto Jefferson disse que preferia ver Yomura ser efetivado no cargo, por já ter sido testado na posição. Cristiane também declarou que o ministro interino havia sido escolhido por Jefferson para ocupar o ministério.

No entanto, a bancada do PTB na Câmara – que seria a “dona” da vaga – não concorda com sua indicação. Os deputados querem um deputado ou ex-deputado para a vaga. Um nome ventilado foi o do deputado Jorge Corte Leal (PE), ex-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco.

Desistência após batalha judicial

O PTB desistiu da indicação de Cristiane Brasil ao Ministério do Trabalho após uma série de derrotas do governo e da deputada na Justiça Federal e no Supremo Tribunal Federal (STF), que barraram sua posse sob a alegação de que ela não tinha condições de assumir o cargo por ter sido condenada em processo trabalhista.

O caso se arrastava desde o início de janeiro, quando o próprio Temer aceitou a escolha dela, em substituição ao também petebista Ronaldo Nogueira (RS), que deixou o cargo para tentar à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Antes de Cristiane, o PTB havia indicado o deputado Pedro Fernandes (MA) para o cargo, mas a proximidade do parlamentar com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) – opositor ferrenho do governo de Michel Temer e adversário do ex-presidente José Sarney – fez com que seu nome fosse vetado.

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