Governo chega no prazo final propondo 2,94% de reajuste a servidores, que não saem satisfeitos

Lúcio Borges

Reunião entre servidores, governador e secretários

O governo do Estado, em dita crise financeira, não chegou nem perto do que os servidores pretendiam e viam negociando a meses, para reajuste dos salários em 2017 ante até falta de aumento salarial a dois anos. A administração estadual propôs aumentar o salário dos servidores em 2,94%, mas ainda a partir do mês de outubro. A data limite ou final das negociações até mesmo definida pelo governo, ocorreria nesta segunda-feira (2), onde foi marcada uma reunião entre membros da gestão e representantes das categorias. Assim, agora a tarde, em cerca de 2 horas de reunião, com 39 sindicatos de trabalhadores do serviço público do Estado, o governador Reinaldo Azambuja apresentou proposta. O percentual deixou insatisfeitos os sindicatos, que discutirão a proposta em assembleia com cada uma das categorias.

A proposta do Estado foi de aumento linear, concedendo o mesmo índice de 2,94% para todos os 78 mil servidores estaduais. A proposta, no entanto, se aceita pelos trabalhadores, só teria validade para recebimento nos salários de novembro. No encontro que contou com participação de vários secretários do primeiro escalão do Governo e deputados, o chefe do Executivo, para justificar o índice, apresentou números da economia do Estado que “impossibilitam de conceder aumento maior e ainda mais, os diferentes e ‘altos’ índices solicitado pelos trabalhadores”, disse.

Após a conversa, apenas os secretários Eduardo Riedel e Carlos Alberto Assis, de Governo e Administração, falaram com a imprensa. Ambos ratificaram o discurso do governador e lembraram que o país enfrenta a pior crise da história e que a proposta feita já impactará em R$ 11 milhões mensais no cofre do Estado.

Contudo, o presidente do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), Giancarlo Miranda, fala que a perda econômica estimada nos últimos três anos supera os 20%, e não houve ou os funcionários estão sem reajuste há três anos, contando com 2017. Assim, o lado dos servidores, apontou já a total insatisfação, igual ao então que seria o “Reajuste Zero”, que foi anunciado pelo Governo e só mudou com a pressão, movimentos de paralisação e ameça de greve geral, que volta a ser cogitada. Os representantes dos sindicatos criticaram o Governo. “Cadê a gestão com competência que tanto esse governo propagou e ainda fala?”, questionou Alírio Vilassanti, presidente da AOFMS (Associação dos Oficiais Militares de Mato Grosso do Sul).

A geral, grita greve geral

A notícia sobre a proposta do Governo foi dada a centenas de servidores que aguardavam do lado de fora da Governadoria pelos próprios sindicalistas, em carro de som. A proposta foi recebida com vaia pelos trabalhadores, que cogitam mobilização para Greve Geral. “Au au au não teve jeito, agora é greve geral”, gritaram manifestantes.

Centenas de servidores se reúnem em frente à governadoria, desde inicio da tarde desta segunda-feira, como forma de protesto antes da reunião marcada com o governador e sindicalistas.

O impasse entre os servidores e o Governo do Estado persiste desde o mês de maio, data base para reajuste salarial. Enquanto o governo afirma não ter recursos para conceder aumento, os trabalhadores reclamam de estarem há três anos sem ganho real, segundo eles.

Nesta tarde, depois da convocação feita pelo Governo a todos os sindicatos que representa os servidores do Estado, vários manifestantes foram para o Parque dos Poderes. Os dois sentidos da Avenida do Poeta, em frente à Governadoria, foram interditados pela Polícia Militar.

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