Governador está na PF para depor pela operação Vostok que prendeu filho e mais 13

Lúcio Borges

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), está na Superintendência da PF-MS (Polícia Federal em MS) sede de Campo Grande, para prestar depoimento obrigatório, dentro da operação Vostok, deflagrada na manhã desta quarta-feira (12), em determinação judicial avalizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). O atual chefe do executivo, que viu seu filho, Rodrigo, e outras 14 pessoas serem presas temporariamente, chegou a policia por volta das 14h30, para prestar esclarecimento ante também quase prisão. A detenção, só não foi decretada pelo ministro Felix Fischer do STJ, que considerou prejuízo imediato ao Estado, mas que pode ainda reverter decisão, conforme consta no despacho do magistrado.

Azambuja, apesar de ter determinado que fique sem comunicação por 30 dias com os envolvidos e presos temporariamente, se apresentou junto com o filho Rodrigo Souza Silva, 29 anos, que teve a prisão decretada pelo STJ, entre os demais, como parte da Vostok. O nome da operação se refere a cidade mais fria do mundo na Russia, que batizou aqui sobre a questão de ‘notas frias’ que estão como alvo das investigações que vem após delação e acusações dos empresários da JBS.

O governador, que estava no interior do Estado em sua campanha para pretendida reeleição, até ontem à noite, chegou em um veículo Trail Blazer oficial do Estado, acompanhado dos seguranças, no qual também estava o filho, segundo apurado. O comboio tinha três carros. Nos outros, conforme a reportagem levantou, estavam os advogados de Reinaldo.

O depoimento pela Operação Vostok, é obviamente fechado e vamos esperar se a PF irá divulgar ainda hoje, algum dado do mesmo ou demais levantamentos feitos pela manhã com as prisões e recolhimento de material para apurações. A PF reuniu mais de 220 policiais, para cumprir 14 mandados de prisão e 44 de busca e apreensão de documentos.

Outros nomes mais conhecidos e importante, com cargo até de deputado estadual

Entre as pessoas que já foram presas estão o deputado estadual José Roberto Teixeira, o Zé Teixeira (DEM) e o conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), Márcio Monteiro, além do pecuarista Ivanildo Miranda, conhecido por ser delator do ex-governador André Puccinelli na Lama Asfáltica.

A operação decorre de inquérito que tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre as denúncias da J&F, controladora da JBS, de troca de incentivos fiscais por propinas em Mato Grosso do Sul.

A investigação – Toda a ação deriva das afirmações feitas pelos delatores. Na planilha entregue à operação Lava Jato, os empresários Wesley e Joesley Batista relataram que o modelo de pagamento por meio de Tares (Termos de Acordo de Regime Especial) surgiu há anos, passando pelos governos de André Puccinelli (MDB) e prosseguiu com Reinaldo Azambuja (PSDB).

Segundo o despacho do ministro Feliz Fisher, datado de decisão do dia 3 de setembro, ao qual o Página Brazil e toda imprensa teve o acesso, o MPF (Ministério Público Federal) relata que esquema de pagamentos de propinas da empresa do ramo frigorífico a políticos era dividido em três núcleos e rendeu lucro de ao menos R$ 67.791.309,00 aos integrantes do grupo denunciado.

A soma foi calculada pela investigação, consta em trecho do pedido de busca e apreensão, prisão e medida cautelar diversa da prisão feito pelo MPF (Ministério Público Federal) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Tempo longo

A PF (Polícia Federal) levou nove dias para planejar a força-tarefa, que foi às ruas de Mato Grosso do Sul e de cidade do Pará na manhã desta quarta-feira (12).

A Operação Vostok apurou ainda que as fraudes causaram prejuízo de R$ 209 milhões aos cofres estaduais, entre 2014 e 2016.

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