Giroto e Amorim com outros seis têm Habeas Corpus negado para sairem da prisão

GIROTO E AMORIMA Justiça negou soltar os oito integrantes “de organização criminosa”, como denominado pela Policia Federal, que foram presos por tempo indeterminado pela operação “Fazendas de Lamas”, no último dia 10. O ex-deputado federal e ex-secretário de Obras de MS, Edson Giroto, e sua esposa Rachel, o empresário João Amorim e uma de suas filhas, das três detidas, e outras quatro envolvidos, tiveram pedido de HC (Habeas Corpus) negado e continuaram presos. Dos oitos, há quatro homens, que estão em presídio de Campo Grande, e outras quatro mulheres, que três tiveram regime de prisão domiciliar, devido a terem filhos recém nascidos, e Rachel, por ter uma filha menor e em especial ainda acrescentou, ‘beneficio’ por ser advogada e ter direito a ‘recolhimento’ especial, que não é disponibilizado no Estado.

O Habeas Corpus foi impetrado pelos advogados no TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) que negou, não exatamente o HC, mas uma liminar geral sob o documento. A liminar era para libertar todos os presos na “Fazendas de Lamas”, que foi a segunda fase das investigações da Lama Asfáltica em MS, em curso desde 2014, e que teve primeira operação em julho de 2015, levando então Giroto e Amorim, a serem detidos, mas que conseguiram a liberdade dias depois.

De acordo com a defesa dos investigados, agora, a decisão será sobre o mérito dos pedidos de habeas corpus. Agora, será ouvido o MPF (Ministério Público Federal) e o mérito será analisado pela Quinta Turma do TRF3. “Negou a liminar, mas não decidiu sobre o habeas corpus”, afirma o advogado Valeriano Fontoura, que atua na defesa de Edson e Rachel Giroto,

Giroto e esposa
Giroto e esposa

como a Flávio Henrique Garcia Scrocchio (cunhado do ex-secretário). O pedido de liminar estava com o desembargador federal Paulo Fontes.  O procedimento agora, se tornou sigiloso. Ainda não há data para o julgamento do mérito.

De acordo com o advogado Hilário Carlos de Oliveira, que também teve negada a liminar no pedido de HC de sua cliente, Mariane Mariano de Oliveira, filha do ex-diretor da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) Wilson Roberto Mariano, o Beto Mariano. Segundo a defesa, ela permanece sem poder sair de casa, no regime de prisão domiciliar. “Ela fica em casa, tem uma criança de um mês e só pode sair com ordem do juiz”, afirma Hilário.

Em separado

Conforme a defesa, o pedido de liberdade para Beto Mariano foi apresentado em separado e ainda não houve resposta. Ele, que também é ex-prefeito e ex-deputado, compõe o grupo e é um dos presos. “Ele [desembargador] sozinho não deu a liminar, mas vão julgar o mérito”, diz.

Fazendas da Lama levou 15, dos 24 acusados

Batizada de Fazendas da Lama, a segunda fase da operação, aponta no processo que são 24 envolvidos direta ou indiretamente na Lavagem de dinheiro de recursos apropriados indevidamente dos cofres públicos do governo federal e estadual. No dia 10 de maio, a ação prendeu 15 pessoas, que ficaram por cinco dias detidas temporariamente. Após, do total, oito tiveram a prisão temporária convertida em preventiva. Giroto, Flávio, Beto Mariano e o empresário João Amorim estão presos no Centro de Triagem, no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Mariane, Rachel, Ana Paula Amorim Dolzan (filha de Amorim) e Elza Cristina Araújo dos Santos (sócia e secretária de Amorim) estão em regime domiciliar.

A PF, Receita Federal e CGU (Controladoria GEral da União), que formaram uma força tarefa para as investigações, analisam os documentos apreendidos e depositou em conta judicial os R$ 475 mil e 50 mil em dólares apreendidos, como o Página Brazil já divulgou. A investigação que aponta R$ 2 bilhões em contratos suspeitos, já identificou de amostra de R$ 195 milhões, do total, que pelo menos R$ 44 milhões estão em desvio de recurso público.

A apuração acusa que este desvio tem um caminho da formação de uma rede de “laranjas”, composta por familiares e terceiros, para lavagem do dinheiro de origem ilícita. Conforme a denúncia, os valores foram transformados principalmente em fazendas, que totalizam 67 mil hectares espalhados por Mato Grosso do Sul.

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