Gaeco diz que milícia articula plano para matar delegado

Fotos tiradas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na casa de Jamil Name Filho mostram que a cobertura no bairro Santa Fé, em Campo Grande, foi transformada em uma “fortaleza”. As portas eram todas reforçadas com grades de ferro. Em um depósito na garagem do edifício, os promotores encontraram suportes de madeira semelhantes aos que são vendidos para armazenamento de rifles e armamentos pesados.

Delegado Fábio Peró era possível alvo da milíca

O relatório, entregue à Justiça, também traz informações sobre a busca e apreensão realizada no dia 27 de setembro na casa do empresário Jamil Name.

O documento relata que ao saber que a busca tinha sido legalmente autorizada, Name passou a ofender desembargadores do Tribunal de Justiça, inclusive, chamando-os de “analfabetos”.

Quando comunicados que estavam presos, Jamil Name Filho e o pai, gritaram que “o jogo está só começando”, o que, para o Gaeco teve o objetivo claro e específico de intimidação dos presentes, uma referência ao poder político e econômico da dupla. O empresário ainda se despediu da esposa dizendo “até amanhã”, revelando a certeza que seria solto em 24 horas.

Os documentos trazem informações que, segundo os promotores, justificam a necessidade de manutenção das prisões preventivas do empresário e do filho. Para reforçar essa tese, o Gaeco também informou à Justiça um suposto plano para um atentado contra o delegado que conduziu as investigações da operação Omertá.

Não há detalhes sobre o plano, o documento faz menção à periculosidade da organização criminosa. O Gaeco afirma que recebeu informações de órgãos de inteligência relatando que os presos da Omertá, mesmo dentro do centro de triagem, estariam articulando várias ações criminosas em represália às suas prisões, dentre eles, um possível atentando ao delegado de polícia Fábio Peró, que atua na força-tarefa criada pela Delegacia-Geral da Polícia Civil destinada a investigar execuções ligadas ao caso.

Contactado, Fábio Peró disse que não quer comentar o assunto. O advogado Renê Siufi, que defende Jamil Name e Jamil Name Filho, disse que descarta qualquer hipótese de os clientes terem feito ameaças ao delegado, bem como acredita na inocência dos investigados.

A Delegacia-Geral da Polícia Civil informou que está tomando as providências sobre o caso.

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