Funcionários Omep-Seleta vão as ruas contra demissões em “injustiça a ocorrer com justos”

A confusão que juntou o “joio e o trigo” e já tem praticamente certo, milhares de demissões confirmadas, nas entidades Omep e Seleta, que foram determinadas pela Justiça, a ocorrer ainda este mês, mobiliza ‘trabalhadores honestos’ para que não percam e fiquem ainda até sem o dinheiro devido, como vem sendo ventilado que pode ocorrer. Isto, devido ao escândalo de corrupção que envolve a direção das entidades e parte de supostos funcionários, na chamada pelo Gaeco “industria dos fantasmas”, mais que colocou todos e vai atingir 100% do setor, que é acusado de ter entre o todo, pelo menos 10% de contratados que recebem salários, via convênios e dinheiro público da prefeitura de Campo Grande e não trabalham. O fato, por si só, já é de pânico, com a notícia da perda do emprego, que piora nesta época do ano, que deveria ser de festividade, e pagar contas, com um pouco mais de dinheiro do salário extra.

Com isto, na manhã deste sábado (17), em protesto contra as demissões, cerca de 300 funcionários de contrato prefeitura com Omep (Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar) e SSCH (Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária) se reuniram na praça Ary Coelho, no centro da Capital para falar da situação na qual todos os trabalhadores foram igualados a funcionários fantasmas. Indignados com o rótulo e principalmente com a decisão judicial, eles apontam que pelo contrário, “são trabalhadores que fazem muito serviço, de extrema importância para a Prefeitura e acima de tudo de ação social ao município, que já não bem pagos e após um ano de muito trabalho e em meio a crise do país, ainda irão ficar desempregados, por culpa de uma parte, pequena ou até media, que cometeram crimes”, questionavam manifestantes.

Entre os presentes, estava Claudinei Afonso Ferreira, sendo até um exemplo diferente de servidor, que não é só dos Ceinfs, setor mais afetado, mais que se soma a muitas outras áreas de atendimento social do município. Ferreira é o supervisor do Centro Pop, que trabalha com moradores de rua e tem diversos contratados da Seleta. Ele explicava, o que já foi noticiado, pelo Página Brazil, que mais de quatro mil trabalhadores serão demitidos, onde já foram avisados que devem assinar a rescisão na segunda-feira (19), no entanto, exaltava que todo o movimento não estão indo contra a decisão do juiz, mas reivindicando pelos direitos deles, que acima de tudo não tem nada haver com a “ladroagem que armaram e executaram na estrutura”.

O supervisor do Centro Pop menciona que “Apesar de ser algo que vem se falando a algum tempo pelas ‘boca do povo’, agora do dia para noite o Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado] foi na instituição, apreendeu documentos e disseram que estamos proibidos de retornar nas unidades em que trabalhamos. Causa estranheza a forma que as coisas são o foram feitas nessa operação. Me sinto mal, por mais este escândalo de nossa cidade. Mas, mais ainda, estou ultrajado porque incluirão, como se todos os quatro mil funcionários honestos fossem fantasmas. Além de que são quatro mil famílias afetadas. Da mesma forma que o Gaeco investigou os funcionários fantasmas, eles deviam investigar os que não são”, desabafa Ferreira.

Ação na rua

A manifestação iniciou nos cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua 14 de Julho. Os manifestantes utilizaram apitos, panelas e cartazes e bloquearam o cruzamento nos dois sentidos da avenida Afonso Pena. Depois seguiram pela avenida, para o cruzamento da rua 13 de Maio onde bloquearam apenas uma via. O movimento durou cerca de duas horas e gerou discussões entre os funcionários e motoristas, que ficaram irritados com o protesto.

O vereador eleito Valdir Gomes (PP) e diretor do CCI (Centro de Convivência do Idoso) Vovó Ziza, é um dos integrantes da comissão de frente do movimento e estava revoltado com a situação. Segundo Gomes, essa demissão em massa é um abuso e denominou a situação como a “maior anarquia que eu já vi em 48 anos de prefeitura”. Valdir levantou questões como o motivo de começarem a agir agora, faltando cerca de duas semanas para encerramento do mandato do atual prefeito Alcides Bernal. O futuro parlamentar, orientou que funcionários não assinassem a rescisão.

“A situação é até degradante, que tanto os ladrões, como Executivo e o Judiciário nos impõe. Todos não sabem do dia a dia dos locais de trabalho, não se colocam ou pesquisam a fundo sobre tudo, mesmo que haja erros, problemas, crimes, não justifica ação que joga tudo no mesmo saco e acaba com a vida de todos. Ninguém coloca na decisão, que eles, os trabalhadores, por exemplo, por um tempo seguraram em dois, alguns departamentos que antes tinham nove funcionários. Isso é injusto e não compreendo a forma que a medida foi imposta a nós”, avaliou  a funcionária pública da Seleta há 10 anos e integrante da comissão de frente, Marister Pereira da Silva. Ela ainda mencionou “todos os trabalhadores são guerreiros”.

O movimento está organizando no mínimo mais dois manifestos. O próximo movimento oficial será respaldado pelo Senalba – MS (Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no de MS) e ocorrerá na segunda-feira (19) às 8 horas na Praça do Rádio Clube.

Investigação

A decisão do juiz David de Oliveira Gomes Filhos partiu do pedido do procurador de Justiça Marcos Alex Vera. Na última terça-feira (13) foi deflagrada a Operação Urutau que apura contratações irregulares e funcionários fantasmas para desviar verba pública por meio das entidades.

A presidente da Omep, Maria Aparecida Salmaze, chegou a ser presa, mas conseguiu habeas corpus para substituir a prisão por medidas cautelares. O mesmo ocorreu com a responsável pela creche Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Kelly Ribeiro. A contadora da Seleta, Ana Cláudia Pereira também teve temporária decretada.

Após cumprimento de conduções coercitivas e 14 mandados de busca e apreensão, Marcos Alex descreveu a investigação e o que foi coletado para pedir providências imediatas por parte da Justiça. Poucas horas depois o juiz atendeu a solicitação e determinou o rompimento imediato dos convênios entre as entidades e a Prefeitura, além da demissão de todos. Para substituí-los serão convocados concursados.

Justiça a tempos requereu demissões

A decisão de demitir todos os contratados já não é bem nova, desde o inicio deste ano, já foi determinado pela Justiça que houvesse o enxugamento da máquina neste setor, já devido a irregularidades, qeu até então eram apontadas também  como “convênios e dinheiro a mais as entidades”. O MPE (Ministério Publico Estadual), já constatou irregularidade e excesso de contratação vindas de diversas gestões da administração municipal.

Contudo, como fizeram em julho, a direção da Selete e Omep pediam solução de problemas com as demissões na Prefeitura, onde foram a até a Câmara Municipal pedir “socorro”. Veja na matéria do link acima, sobre este processo.

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