França leva à ONU propostas para liberar financiamento de ações climáticas

Fonte: Por RFI/G1

A Cúpula do Clima organizada pela ONU nesta segunda-feira (23), em Nova York, é uma das principais manchetes da imprensa francesa. O jornal “Libération” anuncia em sua capa “É agora ou nunca”, recordando a necessidade urgente de combate ao aquecimento global.

Macron fala em conferência de embaixadores em Paris — Foto: Reuters/Yoan Valat.

“O tempo das declarações de intenção, das promessas e dos compromissos não cumpridos passou, surgiu uma nova geração que não pretende mais adormecer com belas palavras e cobra ações concretas”, destaca o editorial do Libération. Para acompanhar a cúpula da ONU, o jornal progressista publicará diariamente, ao longo da semana, reportagens sobre as mudanças climáticas, abordando aspectos científicos, geográficos, políticos, econômicos e cidadãos.

A edição desta segunda mostra que quatro anos após a euforia política e da mídia provocada pela assinatura do Acordo de Paris (2015), apenas as Ilhas Marshall, ameaçadas pelo aumento do nível do mar, se anteciparam ao prazo previsto no tratado – o ano de 2020 – e se comprometeram, desde 2018, a reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa. Os principais poluidores do planeta – China, União Europeia, Estados Unidos, Rússia e Índia, entre outros – ainda não apresentaram planos de cortes mais ambiciosos.

Para limitar o aquecimento a 1,5°C, os especialistas dizem que as emissões globais devem atingir o pico no ano que vem e depois declinar a zero entre 2040 e 2055. “Só sendo otimista para acreditar que essa trajetória é possível”, lamenta o jornal Libération.

Segundo a ONU, 14 países responsáveis por 26% das emissões globais afirmaram que eles não aumentariam seus objetivos. Os Estados Unidos encabeçam a lista. Por outro lado, há sinais encorajadores de países vulneráveis ​​às mudanças climáticas. A entrada da militância jovem no movimento é um fenômeno novo que pode aumentar a pressão sobre os políticos.

Fundo Verde para o Clima
A França vai propor em Nova York um fortalecimento do Fundo Verde para o Clima, mecanismo gerenciado pela ONU que garante a transferência de recursos dos países avançados para os mais vulneráveis. O fundo chegou a reunir US$ 10 bilhões, mas recuou para US$ 8 bilhões depois que o presidente Donald Trump assumiu a Casa Branca. França, Alemanha, Reino Unido e Noruega devem aumentar suas participações, informa o jornal Les Echos.

Ante as dificuldades para mobilizar recursos dos Estados, a França vai sugerir que os países forneçam um mandato explícito às agências e aos bancos de fomento para aplicar o Acordo de Paris, explica Remy Rioux, diretor-geral da Agência Francesa de Desenvolvimento (AfD). Assim, os projetos poderiam avançar com mais rapidez. A AfD integra o clube de 24 bancos e agências internacionais de desenvolvimento. O BNDES está nesse clube. O grupo, que possui US$ 4 trilhões em ativos, afirma ter potencial para investir US$ 1 trilhão no financiamento de projetos climáticos até 2025.

Enquanto os líderes presentes à Cúpula do Clima vão tentar mostrar união, apesar das ausências marcantes de Trump e de Jair Bolsonaro, o setor privado também se mobiliza a favor do clima. De acordo com o diário econômico, 87 multinacionais, incluindo Nestlé, Danone, Nokia e L’Oréal, vão anunciar à margem do encontro o compromisso de adaptar suas atividades às recomendações dos cientistas.

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